17.1.11

Saqueadores

No próximo dia 1º de fevereiro uma lei inédita no mundo entra em vigor, com o objetivo de ajudar os países pobres a receber de volta dinheiro desviado por políticos corruptos, depositado em bancos suíços.

Os bancos suíços têm hoje depósitos que somam cerca de US$ 3 trilhões (o dobro da riqueza produzida no Brasil em um ano) do dinheiro chamado “sujo”.

Como, por exemplo, o dinheiro saqueado por Sani Abacha (1943 –1998), que foi presidente (eufemismo para ditador) da Nigéria de 1993 a 1998, cargo alcançado através de um golpe, quando autoproclamou-se chefe de estado. Durante o período em que foi ditador, saqueou cerca de US$ 4 bilhões do seu país, retirando valores diretamente do Banco Central da Nigéria em carros-fortes, colocando-os em um avião e enviando-os à Suíça. A Suíça já enviou US$ 700 milhões de volta para a Nigéria.

O próximo país a receber de volta dinheiro saqueado será o Haiti. Serão US$ 5,7 milhões que pertencem ao ex-ditador Jean-Claude Duvalier e estão nos bancos suíços desde 1986. "Baby Doc", como era conhecido, viveu 25 anos exilado em Paris e ofereceu doar o dinheiro bloqueado na Suíça assim que o terremoto (que agora completou um ano) devastou aquele país. Mas as autoridades suíças recusaram a oferta. Alegam que o dinheiro não pertence à família Duvalier, e sim à população do Haiti, de quem os recursos foram desviados.

Outro caso é do ex-ditador Ferdinando Marcos, que deixou o poder nas Filipinas após uma ditadura de 21 anos. Um processo que durou 17 anos terminou com a devolução de US$ 684 milhões às Filipinas em 2003. (Pena que os 3.000 pares de sapatos da “primeira-dama” Imelda Marcos não tenham sido depositados nos bancos suíços: também seriam devolvidos).

Outros países que deverão receber de volta dinheiro saqueado são Angola, Peru e Cazaquistão.

Essa lei que entrará em vigor na Suíça prevê a chamada inversão do ônus da prova. Quem agora deve provar que o dinheiro tem origem legal é o político investigado (geralmente saqueadores), e não a Suíça.

Um comentário:

  1. E o dinheiro surrupiado ao povo brasileiro? Quando o teremos de volta? Já imaginou quanta grana poderíamos ter de volta? Pensando bem,acho que é inimaginável! (Marie)

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