17.1.11

Nuncaantesnestepaís

Nunca antes neste país se viu tanta incompetência para atendimento a uma catástrofe ambiental como ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro.

Nunca antes neste país houve tanta demora para que os bombeiros e socorristas chegassem aos locais de uma tragédia: até agora (17 de janeiro, 20:49h) ainda não se tem o número exato de mortos e desaparecidos.

Nunca antes neste país se viu tanta vontade de esconder a verdade: que jamais deveriam permitir a construção de moradias nas encostas dos morros, que não deveria haver gente morando à beira dos rios e que essa já era uma tragédia anunciada.

Nunca antes neste país se imaginou que no Século XXI, na era das telecomunicações e comunicações via satélite, na hora de maior necessidade, faltassem conexões com telefones celulares nas áreas atingidas.

Nunca antes neste país se viu tanta omissão dos políticos do estado do Rio de Janeiro. Aqueles mesmos que tantas promessas fizeram nas campanhas, simplesmente sumiram do mapa e nem nos seus nomes ouvimos falar.

Nunca antes neste país se imaginou que, com tantos helicópteros, forças de segurança nacional, defesa civil, exército, marinha e aeronáutica, as vítimas tivessem de se empenhar sozinhas, elas mesmas, tantos dias, no salvamento dos familiares, amigos e vizinhos.

Nunca antes neste país se imaginou que o pessoal da imprensa chegasse antes do que as autoridades aos pontos críticos da tragédia.

Nunca antes neste país se escancarou tanto a incompetência da burocracia, pois a tal liberação “imediata” prometida pelo governo federal de parte do FGTS aos atingidos pela catástrofe ficará na dependência de dezenas de formalidades e formulários recém-inventados pelos engravatados sentados atrás de confortáveis escrivaninhas.

Nunca antes neste país se imaginou que um galão de água de 20 litros pudesse ser vendido por R$45,00 (US$26) e uma garrafinha de 300 ml por R$5,00 (US$2,90) – praticamente o preço de dois litros de gasolina.

Nunca antes neste país se imaginou que o serviço de meteorologia ainda não tivesse alcançado o estágio dos países mais evoluídos, pois somente agora se ouviu a promessa de equipar nosso país com essa tecnologia, no prazo de... quatro anos.

Mas também é verdade que nunca antes neste país as pessoas com capacidade de pensar imaginaram que o atual partido no poder tivesse competência para realizar uma gestão administrativa eficiente, visto existirem tantos cabides de emprego, tanta gente empregada apenas por “cumpanherismo” (chamados de nóis, do PT) e, por outro lado, tanta gente boa, estudada e capaz (chamados de eles, os brancos, os loiros de olhos azuis), afastada do serviço público por meras questões partidárias. Essa é apenas parte da herança legada pelo presidente-operário que se foi.

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