6.1.11

Estão roubando parte da minha história

Nossas vidas são formadas por histórias, acontecimentos e lembranças.

Pois uma das minhas lembranças me está sendo roubada: o Cine Belas Artes de São Paulo, que fica na Rua da Consolação, quase esquina com a Av. Paulista, está fechando as portas após 67 anos de funcionamento.

Não que eu venha frequentando o Belas Artes nestes últimos anos, já que moro em Londrina, PR. Mas a cada vez que uma notícia destas despenca nas nossas cabeças, parece que vão lentamente arrancando partes de nós – sem contemplação, sem anestesia, sem aviso prévio.

O Belas Artes me traz ótimas lembranças, pois à época exibia filmes de qualidade, premiados, muitos dos quais permaneciam longo tempo em cartaz. E nós, jovens ainda, fazíamos pose de intelectuais ao convidar alguma garota para nos acompanhar a esse cinema, que se diferenciava dos Metro, Paramount, Ipiranga, Art Palácio, Marrocos, Ipiranga, Majestic, Astor, Olido, Rio, além do Cruzeiro e Phênix (ambos na Vila Mariana), todos eles exibindo filmes do circuito normal.

Foi assim que foram desaparecendo também com os casarões da Av. Paulista; com os oito campos de futebol que ficavam onde hoje é o Círculo Militar no Ibirapuera; com o “Caquinho” – um campo de futebol onde nós, do Colégio Bandeirantes matávamos aula e que hoje deu lugar à Av. 23 de Maio; com a linha de bondes “camarões” que circulavam desde o Instituto Biológico até Santo Amaro; com vários monumentos, que simplesmente trocaram de lugar; com os tróleibus (ônibus elétricos que circulavam pela Rua Augusta, entre outros circuitos); com a velha Estação Rodoviária; com o Palácio dos Campos Elísios, do qual nem se ouve mais falar; com o Teatro de Alumínio e suas vedetes; com os táxi-danças, onde se furava cartão para dançar de rosto colado com as raparigas; com a própria história de São Paulo.

O Belas Artes é mais um pedacinho de memória que se vai para o espaço.

Foto: FolhaPress

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