10.12.10

O Brasil e a Lixo S.A.


As enchentes anuais já estão recomeçando. Um dos componentes mais catastróficas que se repete ano após ano, é a quantidade de lixo espalhado pelas ruas, boiando nas águas, entupindo bueiros, acumulando-se nas margens dos rios.

Lembro-me ainda hoje das observações dos meus pais que aportaram no Brasil na década de 1930 e guardaram para sempre na memória a péssima impressão da sujeira que tomava conta do Rio de Janeiro, à época, onde o navio no qual viajavam fez escala.

Parece que nada mudou nestes 80 anos. As autoridades foram incapazes, até aqui, de encontrar uma solução para a destinação do lixo. Sacos plásticos cheios de detritos orgânicos, garrafas pet, colchões, móveis, animais mortos e outros objetos são empilhados na frente das casas, jogados nos córregos, no mato, abandonados nas ruas à espera do recolhimento pelos garis – isso onde há recolhimento - sem critério, sem consciência, sem preocupações da população.

Já está mais do que na hora do poder público oferecer soluções inteligentes e definitivas para armazenamento e recolhimento do lixo, além de catequizar a população, evitando que estas imagens se repitam indefinidamente por todo o Brasil e continuem a fazer parte integrante da nossa paisagem. Ou será que os políticos já se acostumaram com essa visão e aceitam pacificamente a nossa vergonhosa criação genuinamente nacional, Lixo S.A.?

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