17.12.10

Na calada da noite

Sorrateiramente, evitando serem avistados, delinquentes de conduta moral tortuosa, experientes em malandragens, corrupção, enriquecimento ilícito e bandalheiras invadiram a casa do tesouro nacional. Usando de ferramentas e até caixas de dinamite que utilizariam se preciso fosse, essa gente amoral sabia exatamente o que estava fazendo. Arrrombaram o pesado cofre e saíram rapidamente com sacos e mais sacos de dinheiro nas costas – tudo quanto foi possível surrupiar.

Foi exatamente isso que fez o nosso “impoluto” Legislativo: bem na virada do ano, em questão de minutos – o que demonstrou perfeita orquestração e planejamento desse assalto - aprovaram o aumento dos seus próprios vencimentos em 61,8%, passando de R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil, com validade a partir de fevereiro. O que significa que cada um dos 594 congressistas representará um custo médio de R$ 128 mil por mês aos cofres públicos.

Em contrapartida (haverá contrapartida?), vemos ao nosso redor famílias vivendo em subabitações e áreas de risco, sem que nenhum dos deputados ou senadores apresente programas e projetos para resolver esse problema. Vemos a deterioração da vida dos aposentados, cuja receita encolhe ano após ano “por falta de verbas” para atualizações reais. Lemos e ouvimos diariamente muito mais notícias sobre falcatruas, compra de votos, desvios de verbas, recebimento de comissões, assassinatos motivados pela cobiça do poder e brigas por cargos, do que sobre realizações, ideias, projetos para a melhoria de vida dos cidadãos e o cumprimento das funções para as quais foram eleitos – geralmente mentindo para os eleitores.

A minha sorte é que daqui para frente não mais serei obrigado a votar. Minha consciência já doeu demais ao colocar meus preciosos votos nas urnas e me sentir traído por Jânio Quadros e Collor, sem contar as dezenas de deputados federais e estaduais, e dos vereadores que venho elegendo ao longo do tempo, dos quais jamais pude sentir um pinguinho só que fosse de orgulho. Além de me martirizar com o amargor da derrota, a cada vez que um candidato meu perdia a eleição. Como nestas últimas três eleições para presidente.

Safados, corruptos e mentirosos: não contem mais comigo!

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