20.10.10

Que decepção, Chico!

O cantor e compositor Chico Buarque discursou no encontro de artistas e intelectuais em apoio à candidata Dilma do PT no teatro Oi Casa Grande, no Rio. Ele sentou ao lado da petista na mesa principal do palco. "Vim reiterar meu apoio a essa mulher de fibra, que já passou por tudo, e não tem medo de nada. Vai herdar um governo que não corteja os poderosos de sempre. O Brasil é um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai".
Chico foi um dos primeiros artistas que assinaram o manifesto em apoio à petista. Que decepção!
Chico é filho de Sérgio Buarque de Holanda. Veja o currículo do pai: um dos mais importantes historiadores brasileiros, além de crítico literário e jornalista. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. Trabalhou em diferentes órgãos de imprensa, foi correspondente dos Diários Associados em Berlim. Passou uma longa temporada como “visiting scholar” em diversas universidades dos Estados Unidos. Foi diretor do Museu Paulista. Viveu na Itália por três anos, onde esteve a cargo da cátedra de estudos brasileiros da Universidade de Roma. Foi professor convidado em universidades no Chile e nos Estados Unidos e participou de missões culturais da UNESCO em Costa Rica e Peru. Produziu uma vasta obra literária.
Agora, Chico Buarque está cuspindo no prato que deu de comer ao pai. Fica fácil falar mal dos mesmos Estados Unidos que tão bem acolheram seu pai e dos “poderosos”, instalado em confortável mansão com campinho de futebol próprio, uma fortuna aplicada em bancos, deitado em berço esplêndido – parte herdada do pai, parte fruto do trabalho em um país que lhe proporcionou oportunidades e privilégios.
Parece que a visão estupenda que Chico Buarque possui na música e na literatura o cegou quando se trata de enxergar as falcatruas, as bandalheiras, o mensalão, o protecionismo de “cumpanheros” e a incompetência do sapo barbudo do partido que ele, Chico, idolatra. Que decepção, Chico!

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