19.10.10

PT, ao arrepio da lei



Eu tive uma agência de propaganda em São Paulo, durante quatro décadas. À época, eu recebia encomendas – no caso, criações publicitárias – de “n” tipos de produtos e serviços, os mais diversos. Quando se tratava de folders, embalagens ou catálogos, as artes finais – posteriormente arquivos digitais – eram encaminhadas para impressão em gráficas.

Foi exatamente isso que a Diocese de Guarulhos fez: sem ferir as leis do país (não era material subversivo, pornográfico, imoral, nem propaganda mentirosa) escolheu a gráfica Pana em São Paulo e mandou imprimir um folheto de título “Apelo a Todos os Brasileiros”. O folheto é uma convocação elaborada pela Comissão de Defesa da Vida da Regional Sul I, da CNBB para que os católicos não votem em candidatos favoráveis à descriminação do aborto, lembrando a posição do PT e do governo Lula, que incentivam a mudança da lei.

Nada de ilícito.

Surpreendentemente, O PT recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral porque considera que se trata de um ataque à sua candidata. Por ordem do ministro Henrique Neves, milhares destes impressos foram recolhidos pela Polícia Federal .

A gravidade deste episódio foi a presença de um grupo de partidários da Dilma, com a cumplicidade de jornalistas, sem poder de polícia, sem mandado, sem representatividade legal, constrangendo ilegalmente o representante da gráfica. Veja no vídeo que subitamente surge um petista avantajado e fala grosso, de dedo em riste com o pobre homem, chamando-o de cúmplice de um crime. Os jornalistas presentes testemunharam o constrangimento ilegal, mas ficaram calados e certamente concordaram com esse tipo de censura e de intimidação. Que jornalismo é esse?

Fico imaginando minha reação se o episódio tivesse ocorrido na minha agência. Com certeza eu requereria força policial para expulsar os petistas. Ou armaria um escândalo de tal monta que aos camisas-vermelhas-cor-de-sangue só restaria saírem de fininho ou partirem para a porrada. Seria um escândalo de proporções gigantescas.

Neste episódio não importa se o pedido do trabalho legalmente impresso partiu da igreja, de uma ONG, de uma associação de bairros, de uma empresa ou de algum milionário. Havia um pedido legal e formal, havia um responsável e não constava nenhuma transgressão à lei.

Está provado: neste governo Lula, a liberdade no Brasil só vale até o limite em que os petistas não se sintam incomodados. Para o PT, tudo. Já para os outros... vote Dilma e verás!

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