17.10.10

Mineiros chilenos e trabalhadores brasileiros

Há certas semelhanças entre o empenho do presidente chileno para salvar os 33 mineiros presos na mina em Atacama e o esforço do presidente do Brasil, içando seus “cumpanheros” trabalhadores que estavam “meio por baixo”.

O presidente chileno se empenhou em trazê-los à superfície, de volta à vida. Os “salvamentos” do presidente Lula direcionaram seu pessoal para a mina de ouro brasileira, que não está nas profundezas do solo e sim aqui em cima. Veja os “salvamentos” do Lula:

Jair Meneguelli - torneiro mecânico e ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Ele havia sumido. Hoje se encontra em Brasília, foi alçado a Presidente do Conselho Nacional do SESI e comanda um orçamento de R$34 mi. Salário atual: R$25.000,00. No tempo de sindicalista era de R$1.671,61.

Heiguiberto Navarro - ferramenteiro e ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Está em Brasília, foi guindado ao posto de assessor do Secretário Nacional de Estudos e Políticas da Presidência da República. É ele quem articula os eventos do Presidente Lula que ocorrem fora do Palácio do Planalto. Salário atual: R$6.396,00. Recordando, na época de ferramenteiro seu salário era de R$1.671,61.

João Vacari Neto – era bancário, ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Subiu na vida e foi alçado para membro do Conselho Nacional de Itaipu. Ajuda a decidir sobre a aplicação do orçamento de Itaipu, cerca de R$4.500 bi. Salário de R$13.000,00. Antes o seu salário era de R$4.909,20. Dizem que participou do desfalque na Bancoop de SP, que causou prejuízo em centenas de bancários em SP.

Paulo Okamoto - fresador, ex-tesoureiro da CUT. Está sumido do noticiário, mas foi encontrado também em Brasília, como presidente do SEBRAE. Salário R$25.000,00. Comanda um orçamento de R$1.800 mi. Salário anterior, R$1.671,61.

Luis Marinho - pintor de veículos, ex-presidente da CUT. Está em Brasília e virou Ministro da Previdência Social. Salário R$8.363,80. Comanda um orçamento de R$191 bi. Anteriormente o seu salário era de R$1.620,40.

Wilson Santarosa - operador de transferência e estocagem, presidente do Sindicato dos Petroleiros de Campinas, no Rio de Janeiro . Virou gerente de comunicação da Petrobrás e membro do Conselho Deliberativo da PETROS. Salário atual R$39.000,00. Comanda um orçamento de R$250 mi. Salário anterior era de R$3.950,90.

João Antônio Felício - professor de Desenho e História da Arte e ex-presidente da CUT, está no Rio de Janeiro e é membro do conselho do BNDES, salário R$3.600,00 por reunião (por reunião) da qual participa, com direito a transporte, hospedagem mais ajuda de custo. É um dos responsáveis pela aprovação do orçamento do BNDES de R$65 bi. Tem sob sua responsabilidade opinar sobre sua destinação e acompanhar a execução. Salário anterior R$1.590,00.

Sergio Rosa - escriturário e ex-presidente da Confederação Nacional dos Bancários. Também se encontra em Brasília, é atual presidente do PREVI, Fundo de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Salário atual de R$5.000,00. Comanda um orçamento de cerca de R$106 mi. Salário anterior R$4.500,00.

José Eduardo Dutra - geólogo, ex-presidente do Sindiminas de Sergipe, atual Sindipetro. Vive em Brasília, onde é presidente da BR Distribuidora, com um mísero salário de R$44.000,00. Comandará, de 2008 a 2012 um orçamento de R$2.600 bi. O salário anterior era R$10.000,00.

Wagner Pinheiros - analista de investimentos. Diretor da Federação dos Bancários de São Paulo. Virou presidente da PETROS, Fundo de Pensão dos Funcionários da Petrobrás. Salário atual de R$44.000,00. Comanda um patrimônio R$32.400 bi. Salário anterior: R$5.232,29, como dirigente sindical.

Sergio Rosa – escriturário e ex-presidente da confederação nacional dos bancários. Também se encontra em Brasília. É atual presidente do PREVI, Fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil. Salário atual de R$15.000,00. Comanda um orçamento de cerca de R$106 bi. Salário anterior R$4.500,00.

Conclusões: os maiores salários pagos pelo governo são para “cumpanheros” do presidente, que em sua maioria não têm nem curso superior, muito menos preparo para gerir as fortunas do dinheiro público que passam por suas mãos. Pergunto para que servem, afinal, as faculdades e principalmente o curso de Administração Pública da FGV? Parece que basta ser ferramenteiro, escriturário, pintor de veículos, fresador, ferramenteiro ou torneiro mecânico para gerir estes bilhões de reais do nosso pobre e suado dinheirinho, pago às duras penas através dos nossos impostos.

E outra coisa: como é que alguém pode receber salários de R$44.000,00, de R$39.000,00, de R$25.000,00 que são valores bem acima do salário-teto de R$11.400,00, que é o do Presidente da República?

Obs.: estes dados sobre salários estão disponíveis em http://www.webartigos.com/articles/4302/1/Os-Privilegiados/pagina1.html#ixzz12XHrXRmb e são de 2008. Devem estar defasados e possivelmente ocorreram mudanças de cargos.

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