11.10.10

Impressões sobre o debate

Meu amigo Peter andava quieto e desaparecido por um longo tempo. Quieto demais, em minha opinião. Eis que hoje ele me liga, para transmitir as impressões sobre o debate de ontem entre os dois candidatos à presidência.
Primeiramente, Peter achou a petista muito agressiva, talvez por estar nervosa com o resultado inesperado do 1º turno, já que seus partidários o imaginavam liquidado e que a eleição em si seria apenas uma obrigação pro forma.
Segundo, ainda segundo Peter, ela ficou pouco à vontade por ter sido abandonada pelo seu mentor. Se antes sua postura era a de uma boneca de ventríloquo, respondendo apenas o que a assessoria e seu chefe lhe ordenavam, agora, sozinha, insegura e largada aos leões, nitidamente teve de agir como os marqueteiros lhe ordenaram. Tentou embaralhar seu adversário com perguntas embutidas em outras perguntas, visando desestabiliza-lo, mas quem acabou se atrapalhando foi ela mesma. Gaguejou muito, errou nas concordâncias do português e algumas frases sobraram soltas no ar.
Por outro lado, Peter imaginou que o candidato Serra trouxesse mais acusações contra sua adversária, já que o PT conseguiu a proeza de nestes oito anos somar uma bela coleção de irregularidades – inchaço da máquina pública, descontrole nos cartões corporativos, os 40 ladrões do mensalão, criação de ministérios inúteis, fracasso da sua guarda federal, péssimos serviços de saúde pública, problemas nos portos e aeroportos, estradas em situação de calamidade pública, falta de controle na distribuição de bolsas (sejam quais forem), ensino público vergonhoso, baixíssima qualidade dos professores, abuso do Q.I. (quem indicou) em repartições, autarquias, escolas e universidades apenas para ‘cumpanheros’, criminalidade em alta, destruição acelerada do meio ambiente, erros estratégicos na política externa, apoio a ditadores e populistas baratos, implantação da política bolivariana e, principalmente, as eternas acusações ao governo anterior de FHC por tudo o que está errado no país. Serra se aproveitou muito pouco destes trunfos.
Na opinião de Peter, oito anos foram tempo suficiente para que o partido da situação conseguisse dar um salto de qualidade, pois coube ao governo anterior a pior parte: estabilizar a economia, bloquear a terrível inflação, parar a sangria financeira das estatais e superar a inacreditável oposição que o PT oferecia, votando contra tudo e contra todos os projetos que vieram beneficiar o Brasil – principalmente o Plano Real.
No prisma de visão de Peter, os eleitores que têm discernimento, que sabem distinguir a postura do estadista, do realizador, daquela outra que na verdade é apenas uma marionete de partido, uma carreirista - sem carreira efetiva, sem história -, inverterão os resultados do 1º turno. Peter em geral acerta nas previsões.
Por fim, Peter se diz bastante desiludido com a situação reinante no país, apesar da tal nova “classe média” emergente, que chega sem cultura, sem educação, sem conhecimentos históricos e sem poder de competitividade em relação aos outros países mais desenvolvidos.

Peter deixou bastante assunto para se pensar. E uma pergunta no ar: por quê a candidata petista tem tanta raiva (ou seriam ciúmes) do governo FHC?

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