19.7.10

Planos de saúde e o ovo de Colombo

Tudo indica que o novo presidente da ANS, Mauricio Ceschin, finalmente vai colocar em pé o ovo de Colombo dos planos de saúde.
A equação que para qualquer simples mortal com um mínimo de inteligência parecia ser de uma lógica cristalina, levou décadas para ser percebida pelos gestores dos planos de saúde.
O plano do novo presidente da ANS é simples: criar um fundo de saúde formado por um determinado porcentual das mensalidades pagas às operadoras privadas, capitalizando reservas para o futuro a fim de que os segurados com idade mais avançada passem a pagar valores menores.
Explica-se: atualmente, quanto mais velho o segurado, maiores valores ele paga – situação exatamente inversa à sua condição de ganhos, que diminuem com o aumento da idade. Com isso, vários idosos acabam perdendo o direito ao plano por falta de possibilidades de pagamento.

A previsão no Brasil é de que o número de idosos triplicará nos próximos 40 anos.
Ironicamente, no próprio site da ANS há um capítulo que permite o aumento das mensalidades para os idosos: “Nos contratos firmados antes da vigência do Estatuto do Idoso, pode haver aumento para beneficiários com mais de 60 anos”.
Correm na justiça processos e mais processos movidos por segurados maiores de 60 anos, brigando pelo respeito ao Estatuto do Idoso, que teima em ser desrespeitado pelas operadoras de seguro-saúde, especialmente nos planos chamados antigos (firmados antes de janeiro de 1999). Como resposta mais do que justa, os magistrados têm dado ganho de causa aos idosos.
Pode-se presumir que os planos de saúde faturaram nababescamente no período da forte inflação brasileira, aplicando suas receitas financeiras a médio prazo e demorando no pagamento das restituições, sem correção monetária, aos médicos, hospitais, clínicas e segurados. Quando surgiu o Plano Real, as contas das empresas não fecharam – provavelmente operavam com estatísticas errôneas – e várias operadoras deixaram o mercado ou preferiram atender apenas a empresas.

JEB

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