17.4.10

Incompetência, incompetência, incompetência!

Não bastasse a absoluta falta de controle sobre as ocupações ilegais nos morros do Rio de Janeiro – e em tantas outras cidades brasileiras -, que nosso blog vem denunciando e criticando há tempos, os governantes cariocas já conseguiram se superar na sua incompetência. Primeiro, obrigaram os sobreviventes da tragédia do Morro do Bumba (ou Lixão do Bumba) a se posicionarem em longa fila, ao relento, com a finalidade de se “cadastrarem” e habilitarem ao recebimento de uma quantia mensal para despesas de aluguel. O que se viu foi a verdadeira face da miséria humana, gente desolada, desesperada, a maioria traumatizada por perdas de muitos entes queridos, alguns até feridos, em pé, por longas horas seguidas. A última informação sobre o assunto, repassada à imprensa, era de que 500 pessoas tinham sido cadastradas. 500 pessoas que permanecerem por longas horas na longa fila!
Os governantes não foram capazes de montar uma estratégia inteligente, como por exemplo uma caravana de vans repletas de assistentes sociais, que pudessem atender com agilidade pequenos grupos de moradores simultaneamente? Não, a burocracia herdada dos tempos do império continua arraigada na alma dos políticos e administradores brasileiros, fazendo das filas uma verdadeira cultura nacional. Não importa em qual grau de tragédia.
Agora, as notícias nos dão conta de que os moradores do Morro do Bumba estão retornando para as áreas interditadas, isto é, às áreas próximas ao lixão do Bumba, pois a Prefeitura de Niterói não informou quando os desabrigados passarão a receber o tal auxílio-aluguel. As palavras das autoridades ficaram no ar.
O jornal O Estado de São Paulo traz na edição de hoje, 17/04, a história do gari Ederval Rodrigo dos Santos, de 41 anos, que decidiu voltar para casa, localizada cerca de 300 metros da encosta atingida pelo desabamento. "Sei dos riscos, mas o que posso fazer? Não me deram garantias de que vou receber o aluguel. Não tenho como deixar minha casa. Para onde levo os meus móveis?", questiona o gari, que fez uma ligação clandestina de eletricidade para voltar a habitar o imóvel. E do pedreiro Vilemar Simplício Lopes, de 41 anos, que voltou ontem para sua casa, no alto da favela, reclamando da humilhação que sofre no abrigo, sem privacidade, disputando comida, banheiro, tudo. "Somos 7 pessoas, não podemos morar numa casa de um cômodo. E nem isso encontrei", disse o pedreiro.

(Foto Agência O Dia)

Um comentário:

  1. Primeiro foi: "...a porta do barraco era sem trinco/mas a lua iluminando nosso zinco/salpicava de estrelas nosso chão..."Depois foi: "Podem me prender/podem me bater/que eu não mudo de opinião/daqui do morro eu não saio não..." passando por "...o morro não tem vez/e o que ele fez/já foi demais/mas olhem bem vocês/quando derem voz ao morro/o mundo todo vai cantar..."E hoje é :"...Tiro pra cá/tiro pra lá/lixo e lama a me soterrá/cadáver sem enterrá..."( Como diz Camille Paglia: /todo caminho que parte do romântico Rousseau vai dar em Sade.) E pergunto eu :Cadê os românticos comunistas de carteirinha (e de chopinho gelado)que também contribuíram para esse horror?Na hora H deixam o morro por sua própria conta,de fila em fila...(Leiam o artigo de Cesar Benjamim,de hoje,na Folha de São Paulo) (Maria Auxiliadora Franzoni)

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