19.10.09

Propaganda Subliminar: o perigo!

Extratos da apresentação na Academia de Letras, Ciências
e Artes de Londrina em 18/10/2009


A Propaganda Subliminar é a arte da persuasão inconsciente. Ela trabalha com o subconsciente das pessoas. Dá-se o nome de propaganda subliminar a toda mensagem que é transmitida em um baixo nível de percepção, tanto auditiva quanto visual. Embora não possamos identificar esta absorção da informação, ela é captada pelo nosso subconsciente e assimilada sem nenhuma barreira consciente. Nós a aceitamos como se tivéssemos sido hipnotizados.

O conceito da Propaganda Subliminar entrou para a psicologia em 1950, quando dois cientistas, McCleary e Lazarus, publicaram um artigo narrando experiências que haviam realizado testando a percepção humana abaixo do limiar da consciência. À época, utilizaram dois aparelhos, o taquitoscópio – que permitia a exposição extremamente rápida de imagens e palavras, e o psicogalvanômetro, que media as reações emocionais das pessoas àquelas imagens. Os dois cientistas concluíram que existiria uma percepção inconsciente às imagens e palavras quando apresentadas muito rapidamente.

A primeira experiência de aplicação prática deste conceito foi realizada alguns anos depois, em 1956, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, pelo publicitário Jim Vicary. Durante a projeção de um filme, ele utilizou o taquitoscópio e inseriu a frase "Beba Coca-Cola" numa velocidade muito rápida, aparecendo apenas três milésimos de segundo. O cérebro demora em média 40 milésimos de segundo para interpretar e registrar cada nova imagem captada pelo olho. O fato é que, segundo o publicitário, no intervalo do filme as vendas do refrigerante teriam aumentado perto de 60%. Ele repetiu a experiência com a mensagem "coma pipoca" e obteve o mesmo resultado.

As crianças são mais facilmente induzidas pelas mensagens subliminares, pois passam horas na frente de uma televisão, assistindo aos desenhos animados. Fica no ar a dúvida: os desenhos animados infantis contêm propaganda subliminar?

Um caso muito divulgado de mensagem subliminar ocorreu no Japão, em 1997, quando mais de 700 crianças sofreram ataques epilépticos assistindo ao desenho animado Pokemón. Descobriu-se que a animação trazia um estímulo luminoso subliminar - flashes coloridos imperceptíveis pelo consciente que foram inseridos no filme para causar uma sensação agradável nos pequenos espectadores - mas que resultaram em efeito contrário, provocando curtos-circuitos nos cérebros em várias crianças.

Outro caso com muito destaque na mídia foi a inserção de dois fotogramas com fotos de uma mulher com os seios nus no desenho animado da Disney "Bernardo e Bianca". Dois sites da internet iniciaram a polêmica, e por sua causa a Disney foi obrigada a recolher 3,4 milhões de fitas em locadoras de vídeo nos USA.

Além de imagens, é possível elaborar propaganda subliminar utilizando sons. Políticos já se utilizaram do som de batidas de coração como ruído de fundo nas suas propagandas políticas, tentando conquistar o receptor através de uma sensação de calma e segurança.

No campo jurídico brasileiro, a propaganda subliminar está vedada pela legislação, em especial pelo Código de Proteção e Defesa do Consumidor, que obriga a publicidade a ser clara e especialmente perceptível a qualquer ser humano com um grau mediano de entendimento. A jurisprudência brasileira define a edição de imagens de três milésimos de segundo como subliminar, o que representa a intenção de atingir ou manipular o subconsciente do indivíduo. Infelizmente, é muito difícil e trabalhoso – ou até impossível – manter-se uma fiscalização constante e efetiva.

Você que um dia ouviu falar que 'a propaganda é a alma do negócio’, pode ter certeza de que com a maquiavélica utilização da técnica subliminar, a frase mais apropriada passou a ser ‘a propaganda é o negócio da alma’!
Julio Ernesto Bahr

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