3.10.09

Meu espírito de brasilidade

Bem que eu gostaria de ter estado ontem, 02/09, na Praia de Copacabana para festejar, sob as ordens e a coreografia da poderosa Globo, a “vitória” brasileira pela disputa da sede das Olimpíadas de 2016.

Talvez eu até me alegrasse e chacoalhasse o corpo em sintonia com as milhares de pessoas que lá estavam, cooptadas, arrancadas do trabalho, em plena sexta-feira útil.


Talvez eu até conseguisse ignorar a histeria coletiva que se apossou das figurinhas carimbadas de sempre, partícipes da esbórnia financeira do Pan Americano e novamente presentes ontem no auditório em Copenhagen, contabilizando antecipadamente os ganhos e comissões que poderão advir de contratos e investimentos (ou gastos?) necessários para tornar o Rio de Janeiro minimamente preparado.

Eu conseguiria até desculpar os jornalistas da Globo, que deixaram de lado sua função crítica de analistas políticos e, sob o domínio das gordas verbas publicitárias do governo que vêm jorrando nos cofres da empresa, se prestaram ao papel ridículo de demonstrar um falso entusiasmo nas suas falas e comentários.

Mas meu espírito de brasilidade não permitiu que isso acontecesse.

Imperou na minha cabeça a imagem do nosso Brasil Real, repleto de favelas, córregos poluídos, falta de creches, escolas precárias, narcotraficantes implantando seu poder paralelo, cadeias abarrotadas, precatórios atrasados, aposentados empobrecidos, processos cíveis e criminais esquecidos por anos, invasões de terras orquestradas pelo próprio governo, impunidade de políticos desonestos e aproveitadores, educação falida, obras superfaturadas, devastação ambiental, Congresso corrupto, políticas públicas distorcidas...

Que pena! O Brasil perdeu ontem a oportunidade de exigir deste governo a correção de rumos que nosso povo tanto necessita. Rumos tortuosos que Olimpíada nenhuma vai corrigir.

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