26.10.09

Inversão de valores

Estou estarrecido: leio nos jornais que “71 intelectuais criticam mídia sobre CPI do MST”, reagindo ao que chamam de "criminalização” do MST e condenando a cobertura da mídia sobre o movimento.

Mencionando a invasão de uma fazenda no interior de São Paulo no início deste mês, o texto diz que a mídia foi "taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como atos de vandalismo".

Decepciono-me ao ver que assinaram o documento, entre outros, o crítico literário Antonio Candido, o economista Plínio de Arruda Sampaio, o sociólogo Paulo Arantes, o escritor Luis Fernando Veríssimo e o escritor uruguaio Eduardo Galeano – que aliás deveria se preocupar com as eleições do seu próprio país e não meter o bedelho nos assuntos criminosos do MST.

Além de acusar redes de televisão de omitir informação sobre as terras da Cutrale serem públicas (Nota: os meios de comunicação se fartaram de informar que corre um processo a respeito, ainda não julgado, o que demonstra a precipitação dos intelectuais) , o documento diz que o objetivo do movimento de criminalização é “barrar a revisão dos índices de produtividade prometida pelo governo federal”.

O texto afirma ainda que a medida ameaçaria o interesse de grandes produtores, ao tornar disponíveis para a reforma agrária terras que eles dizem ser produtivas.

O texto também condena o recolhimento de assinaturas, nesta semana, para criar a CPI do MST no Congresso. Diz que, junto com a cobertura da mídia, a iniciativa objetiva bloquear a reforma agrária.

Depois dessa pancada, vou solicitar ao Luis Fernando Veríssimo que doe aos coitadinhos do MST todos os direitos autorais dos seus livros, em especial aquele em que ele descreve sua esplêndida e esticada viagem gastronômica pelos países da Europa, comendo do ótimo e do melhor ainda, um privilégio para tão poucos.

Esse pessoal que assinou o manifesto me faz lembrar a turma da “esquerda festiva” que nos anos 60/70 ficava tomando seus uísques escoceses sentada nos barzinhos de Copacabana enquanto incitava jovens estudantes e operários a marchar contra os policiais, tomando porradas, cacetadas e tiros de todos os lados. Os jovens sumiram ou morreram, mas a esquerda festiva continua por aí tomando uísque escocês, vivendo de gordas indenizações "por terem sido perseguidos pela ditadura".

Como é fácil ser intelectual-crítico-analista à distância dos acontecimentos!

Como é fácil emprestar seus nomes famosos para causas tipo “adoramos Cuba”, “Chavez é o homem”, “coitadinhos dos miseráveis do MST”...

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