15.7.09

Internet, e-mails e a língua portuguesa

Texto apresentado em 12/07/09 na Academia de Letras,
Ciências e Artes de Londrina

Na introdução do meu livro de contos “Encontro na barca e outras histórias de bahr” incluí alguns dados publicados na Revista Veja daquele ano (2005) reportando que 91% dos alunos da rede pública, ao terminarem o ensino fundamental, simplesmente não conseguiam compreender os textos que liam.

Suspeito que nada tenha mudado nestes quatro anos. Temo que não sejam apenas os alunos do ensino fundamental que tenham essa dificuldade. Quando leio alguns e-mails de estudantes universitários e até de profissionais formados comentando artigos publicados nos meus e em outros blogs, fico estupefato com as conclusões absurdas que emitem, geralmente fora do contexto principal do tema... sem contar o português pessimamente escrito. Essas pessoas aparentemente não entendem nada de sátira, duplo sentido, escárnio, paródia ou de interpretações pessoais nos textos. São apenas leitores, no sentido literal.

Essa incompreensão deve ter origem na falta de leitura das pessoas e nas deficiências do ensino. É por isso que os jornais de Londrina e provavelmente de outras cidades menores, apresentam tantos erros de escrita nas cartas, nas opiniões dos leitores e até nos artigos dos próprios jornalistas. Concordância, palavras e frases erradas, além de tempos de verbos mal utilizados surgem com uma frequência assustadora.

Além disso, a informalidade dos e-mails e comentários postados via internet não deveria ser confundida com a liberalidade de utilizar um linguajar chulo, ofensivo e pleno de erros, como muitos fazem.

A tal alfabetização em massa apregoada pelo governo, não deixa de ser um engodo, pois poucos conseguem escrever algumas frases além do próprio nome. Vários professores universitários com quem conversei, já ficaram rubros de raiva em alguma ocasião, ao revisarem provas e dissertações de seus alunos.

Está mais do que na hora de o governo estabelecer certos protocolos mínimos para o ensino do português, que sirvam de norte para todas as escolas. A língua é o maior tesouro de uma nação. É a língua bem escrita e bem falada que abre as oportunidades de emprego, convivência, sucesso e realizações das pessoas.

Espero que não seja a minha intolerância causada pela idade ou então as grossas lentes dos meus óculos, que me impeçam de enxergar, talvez, o futuro da comunicação entre as pessoas. Estarei eventualmente ignorando que essa linguagem misturada a hieróglifos, símbolos, sinais, erros e palavrões seja a nova linguagem internacional, o substituto do esperanto criado em 1887 por Ludovic Lazarus Zamenhof, que deveria unir todos os povos do mundo?

Para demonstrar que a ignorância grassa, aí vão alguns laudos cheios de graça escritos por peritos e que um amigo me enviou por e-mail:

- Laudo de perito judicial descrevendo um barracão:"um barracão com pé direito de 5 metros e pé esquerdo de 4 metros"

- Avaliação feita por um oficial de justiça:"um crucifixo, em madeira, estilo country - colonial, marca INRI - sem número de série"

- Frase de um termo de encerramento de laudo judicial de um processo na Vara Cível do Fórum João Mendes em São Paulo: "Os anexos seguem em separado".

Relatório de um perito do Banco do Brasil:"Visitamos um açude nos fundos da fazenda e depois de longos e demorados estudos constatamos que o mesmo estava vazio".
JEB

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