9.3.09

A incompetência brasileira

Na reunião de ontem, 8 de março, da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina, o Prof. Leonardo Prota, professor de Filosofia na UEL, avançou em uma análise política dos anos mais recentes de nosso país, tecendo considerações sobre políticos, corrupção e incompetência do Executivo.

Esta palestra me levou a procurar um artigo que eu escrevera em 1999, há dez anos, sob o título de “50 Anos de Incompetência Brasileira”, do qual extraio alguns parágrafos, que na época já coincidiam com as teses do emérito palestrante.

..." o Século XX pode claramente ser dividido ao meio: a primeira metade caracterizou-se um pouco mais pela ordem e progresso, lema da nossa bandeira nacional. Um povo ordeiro, religioso, honesto, empreendedor. É certo que agitações políticas, líderes populistas, revoluções civis e partidos políticos que se destacaram, pelo bem ou pelo mal, fizeram parte desse período, na incessante busca do modelo político perfeito, mas que em contrapartida foram sempre acompanhados de grandes realizações em obras, cultura e arte. Arquitetura e urbanismo tomaram forma e criaram novos espaços. A música lançou novos ídolos. O teatro nos deixou saudades do TBC de Ziembinsky, Cacilda Becker, Sérgio Cardoso. Houve a turma do modernismo na pintura e na literatura. A educação era encarada com absoluta prioridade e seriedade. Bons tempos...

Mas a partir da segunda metade do século... quanta incompetência.

As grandes cidades – e não só as capitais – tornaram-se reféns de bandidos e delinqüentes.

Zonas restritas de mananciais foram invadidas, com incessante despejo de lixo e esgoto na nossa água de beber.

Áreas de risco foram sendo rapidamente tomadas por “sem-teto” e “sem-terra”, enquanto alguns engravatados aparecem na telinha na hora das enchentes, catástrofes e mortes, com uma verborréia inócua, falsas e mentirosas promessas.

A saúde tornou-se vergonha nacional, sem prevenção, sem atendimento, nossos concidadãos morrendo nas filas.

O trânsito virou um “salve-se quem puder”, com absoluta falta de projetos, planos e estratégias – tudo pelo lucro das empresas de ônibus, das fábricas de caminhões, dos interesses privados.

Ferrovias? Nem pensar. Ao invés de desenvolvermos a rede ferroviária para esvaziar o fluxo de transporte nas estradas, trechos foram sendo desativados, exatamente no sentido contrário ao dos países desenvolvidos.

A falta de fiscalização permitiu que empresas se locupletassem das indenizações e do Fundo de Garantia de seus empregados mais humildes e muitas delas se valem ainda do serviço servil.

O meio ambiente é tratado com total hipocrisia, enquanto madeireiros, mineradores, fazendeiros e aventureiros queimam, serram, poluem, contaminam e acabam com nossas árvores, nossa saúde e nosso futuro.

Crianças menores e adolescentes trocam a escola pela bandidagem, cooptados pelos narcotraficantes, afastando-se das famílias e encurtando suas vidas para até vinte e poucos anos no máximo.

A seca no Nordeste, já presente no início do Século XX – e antes – continua sendo um instrumento político de ministros, governadores, políticos e dos ainda remanescentes “coronéis”.

A arte e a cultura acabaram sofrendo um processo de indução por parte das grandes redes de comunicação, que nos empurram as suas preferências em detrimento às nossas e impedem a população de pensar, raciocinar e se deleitar com suas preferências pessoais. Tudo virou um grande e pastoso “rap”, festival de breguice e de música chamada sertaneja.

FUNAI, Reforma Agrária, IBAMA... os noticiários apresentam essas instituições como antros de corrupção, com gente se aproveitando para levar vantagens, dinheiro e poder político.

Tudo por pura incompetência, falta de autoridade, falta de ética, de moral e de religião.

Para terminar, aí vai uma frase emprestada de um parachoques de caminhão: “O Brasil é mesmo um saco de gatos”....]

Este artigo foi escrito em 1999. Mudou alguma coisa??????

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