6.3.09

Ciência e religião



Estes dois assuntos justapostos são dos mais delicados e que suscitam a maior polêmica, desde que Moisés fez abrir as águas do Mar Vermelho para a passagem dos judeus expulsos do Egito.

A evolução da ciência é palpável em todos os setores. Especialmente na medicina, que vem nos empurrando cada vez mais em direção ao futuro. Procedimentos médicos, pesquisas, equipamentos e novas descobertas estão ajudando os médicos a prolongarem nossas vidas. Doenças que nos dizimavam há 50 anos hoje estão dominadas e o nível de conhecimentos sobre o corpo humano alcançou patamares antes inimagináveis.

Abordo esse tema ao tomar conhecimento da pequena menina de nove anos que foi vítima de estupro pelo seu padrasto. Ela é ainda uma criança, que deveria estar brincando com bonecas, fazendo comidinhas imaginárias e frequentando a escola. Ao invés, ficou grávida de gêmeos!

Nesse caso, os conhecimentos da ciência indicaram a clara necessidade de um aborto, visto que o corpo da criança nem estava formado para uma gravidez de tal risco. Além disso, a lei brasileira é indiscutível: o aborto é legal quando se trata de casos de estupro.

O difícil mesmo é comentar duas bossalidades. A primeira, a figura do tal padrasto, que por sinal também estuprou a enteada mais velha. Afirmar que o cara é um animal, é pouco. Sou de opinião que esses casos devem ser resolvidos de maneira radical: castrando definitivamente o estuprador, para que ele jamais volte a praticar os mesmos crimes.

A segunda bossalidade foi praticada pelo tal arcebispo de Olinda e Recife, que determinou a excomunhão de todos os envolvidos nos procedimentos do aborto, desde a vítima, a criança de nove anos, até os médicos que dele participaram. Nota-se pelas entrevistas concedidas às emissoras de televisão que o religioso é retrógrado, tem a mente do tamanho de uma ervilha, parou no tempo, não possui conhecimentos universais (leia-se humanísticos e contemporâneos) e atém-se a um texto que está totalmente superado no Século XXI pelo desenvolvimento científico.

É inimaginável ter de se admitir que a criança, vítima de abusos, estuprada, violentada, psicologicamente abalada, que enfrentou uma série de situações assustadoras por ocasião do aborto, inocente no conhecimento sobre os seres humanos, ainda tenha de viver sua vida relegada pela Igreja, que na verdade deveria ser a sua primeira protetora e a sua segunda casa.

Quanto aos médicos excomungados, imagino que estejam se lixando com o tal padre retrógrado. Provavelmente eles estarão prontos para repetir os mesmos procedimentos em outros casos similares, tantas vezes quanto forem necessárias, colocando a ciência a serviço do ser humano.


A gravura mostra cena da "Santa" Inquisição espanhola

2 comentários:

  1. Concordo com tudo o que vc disse. Precisamos de regras sociais e de leis que nos ajudem a viver com mais civilidade e que protejam nossas crianças e os mais fracos. Não precisamos de ameaças, de ex-comunhões (o que vem a ser isto?) e, principalmente, não precisamos de leis de faz de conta, de sistema penal de faz de conta, de códigos de execução penal de faz de conta, de indignação social de faz de conta. Nada deste estado de faz de conta que não consegue manter apartados da sociedades os criminosos e doentes sociais reincidentes e perigosos.Parabéns pela postagem.

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  2. Nunca jamais sou favorável a fundamentalismo principalmente religioso que usa o nome de D-us para justificativas ultrapassadas absurda fora da realidade atual. Sabe lá se o Eterno quando determinou o aborto como pecado, a pessoa não esqueceu de anotar "a partir dos __ de idade? Ou como o ponto mais importante do ser humano é presevar a vida (inclusive autorizado a deixar de cumprir preceitos para salva a vida de terceiros ou de si mesmo? O bispo falou com o Eterno? Bem! É chover no molhado! O importante é que o assunto foi resolvido no bom senso e deixemos o Bispo falar sozinho. Ele que saia por aí com as pessoas que concordem com isto. E com todo respeito à religião, não faltará outra que receberá os excomungados. A cosnciência dos que salvaram a menina está tranquila que seguiram o mandamento divino aparentemente desconhecido pelo Bispo. Fique nas sua, Sr. Bispo e nós ficaremos na nossa!

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