7.2.09

Será que estamos aprendendo com a crise?

O "encolhimento" dos bancos internacionais com a crise
Gráfico produzido por J. P. Morgan

É incrível como ativos até então tidos como sólidos foram para o espaço. Nem todos na mesma proporção, pois sempre houve bancos mais conservadores em suas operações, mais previdentes e por isto não tão lucrativos durante os tempos da "grande aventura".
Mas, de qualquer forma, é surpreendente que todo o sistema tenha-se deixado levar para esta catástrofe, que vozes (e houve diversas) previdentes não tenham sido ouvidas e que governos tenham permitido que esta desordem se instalasse no mundo.
Isto é terrível para o cidadão comum - para a maioria afinal - que se dedica ao trabalho e às suas muitas obrigações, entregando ao sistema financeiro suas parcas poupanças na forma de planos de aposentadoria, planos de saúde e outras formas de investimento para garantia do futuro.
Se esta confiança se quebra o efeito é terrível, pois as pessoas se verão diante da ausência total de alternativas, embora com a mesma necessidade de planejar seu futuro e de nele investir.
Por esta razão devemos, os mais sensatos e realistas, esperar por uma crise mais longa e por mudanças importantes no próprio conceito de riqueza e bem estar, pois não será mais possível - pelo menos por algum tempo até que tristes memórias se apaguem - viver-se de "produtos" virtuais, feitos de fumaça e de esperanças que se realizam para poucos à custa da frustração de muitos.
O mundo terá necessariamente que sofrer uma boa "freada de arrumação".
Que isto sirva também de lição para nossos governantes, estes da marolinha, do ufanismo irresponsável temperado por uma visão destorcida da economia e do real funcionamento das coisas. Afinal, estamos também tentando melhorar a vida de enormes contingentes humanos através de programas assistencialistas, de concessão de crédito e de outros benefícios que se traduzirão no futuro em obrigações a pagar por parte de gente que poderá não ter condições de pagar.
Pouco se vê em termos de investimento em educação, saúde, qualificação profissional, em infraestrutura de modo geral, única forma conhecida de habilitar as pessoas para a vida e de lhes dar condições de acesso ao crédito e à possibilidade de pagar as dívidas contraídas.
Políticas de ocupação do solo urbano também não existem, tampouco dedicadas ao planejamento demográfico, pelo que crescem as favelas, o banditismo, o crime organizado, o desemprego e o já enorme contingente de adolescentes grávidas, tristes matrizes de crianças sem pai.

Por Marcos Swensson Reis
Empresário - Senior Partner da MSR Consultoria
Rio de Janeiro, RJ

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