7.11.08

Paixão transcendental

Quando olho para a estante,
Nem Freud, Jung ou Kant
Podem me explicar nesse khrónus instante
A razão por você estar tão distante

Para compartilhar as lágrimas, sento-me com Habermas
Para enfrentar tamanho transtorno, discuto com Adorno
Toda minha desilusão compartilho com Platão
E, como a situação se mostra calamitosa,

espero encontrar-me com Spinoza

Não me acuse de ser fiel a Marcuse
E não desfaça de mim por gostar de Benjamim
Para não parecer irracional não critique Pascal
Por mais culpa que você me coloque,

terei sempre a absolvição de Locke

Todo esse desatino compartilho com Calvino
E, quando me desespero,

sei que tenho a compreensão de Lutero
Quando tudo parece mesquinho

lembro-me das palavras de Agostinho
Para um período de meditação

leio os Provérbios de Salomão

Às vezes me vem a pergunta:

sou da solidão sofredor ou do sofrimento designer?
E então me confidencia conselhos a voz de Horkheimer
Quando penso que esse amor daria um best-seller

ou, quem sabe, um simples cordel,
Lá me chega sem cerimônia o contundente Maquiavel
É minha sorte que agora você não me vê,

pois em meu desespero reclamo a Piaget

Dessarte tenho as explicações de Sartre
Sobre a razão desse amor triste

que confidenciei ao amigo Nietzsche
A tristeza seria igualmente forte,

mesmo no mais belo chateau,
Na presença do inesquecível Rousseau.
Conversando com Benveniste

descobri que estou muito triste

Mas para espantar o desencanto falo em esperanto...

enxugo as lágrimas e engulo o pranto...
Nem com todo o saber da ciência...
consigo encontrar em mim tranqüilidade e sapiência...
para, face a sua ausência, não perder a inocência...
e tampouco a paciência!

E se com tudo isso te chateei,

pois que chame o Cassius Clay!
E, se a revolta traz alguma vantagem,

que chame Osama Bin Laden!
Todo seu maniqueísmo mais parece Eros terrorismo

E sua jactância, a mais pura e simples ignorância!
Mas, se a saída é o perdão,

chame rápido o amoroso capelão!
Sem sentido e sem razão,

quem pode entender as filosofias do coração?

De André Arruda Plácido,
relações públicas, jornalista e especialista em comunicação
e liderança em missões mundiais pelo
Haggai Institute de Cingapura.

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