4.11.08

Bolhas do Século XXI



Na minha infância – e lá já se vão Y anos – eu adorava brincar com bolhas de sabão. Ficava fascinado com a leveza e perfeição daquelas bolinhas transparentes, voejando pelo banheiro, mudando de direção aos meus sopros, estourando ao trombar umas nas outras e nos azulejos da parede.

Nunca me esqueci daquelas bolhas. Quando meus filhos eram pequenos, tornei-me especialista em formar bolhas de sabão com o uso das mãos, fazendo-as surgirem do nada, bastando falar “abracadabra”, criando nas suas mentes a fantasia de que eu era um mágico. Quanto nós nos divertimos juntos...

Agora, pleno Século XXI, as bolhas de sabão ficaram esquecidas. Ou mudaram de nome. Apareceram as tais das bolhas imobiliárias, bolhas econômicas, bolhas da indústria automobilística, bolhas de desmatamento, bolhas bancárias, bolhas disso, bolhas daquilo

Bolhas imobiliárias que nasceram nos Estados Unidos e eclodiram na maior crise daquele país desde o crash de 1929. A inadimplência dos compradores de imóveis levou enormes prejuízos às instituições bancárias, que por sua vez exportaram a crise para outros países da Europa e da Ásia, além de causar reflexos aqui no Brasil. Como se fossem bolhas de sabão em tamanho gigante.

Depois destas bolhas enormes, outras chegaram ou estão por chegar. Certamente são brincadeiras de gente grande que se esqueceu das suas infâncias. São economistas, banqueiros, políticos, ministros, presidentes, profetas e adivinhadores, tentando explicar o inexplicável e cujo divertimento consiste em nos projetar ora um futuro grandioso, ora uma profunda e terrível crise, deixando-nos ou muito eufóricos, ou muito assustados.

Longe se foi o tempo das inocentes bolhas de sabão, da época de nossa infância. Hoje, ao pedir a seus pais para brincarem com bolhas de sabão, os pequerruchos ouvirão: -“Sai prá lá, garoto. Não vê que eu estou ocupado com bolhas muito maiores?”.

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