7.8.08

Mulheres que não são “cavalheiras”



A vida toda, as pessoas fizeram questão de nos soprar nos ouvidos que o homem tem a obrigação de ser cavalheiro. Abrir a porta do carro para sua acompanhante, enviar flores à sua amada, dar sempre preferência de passagem às mulheres, deixá-las entrar primeiro em qualquer evento, jamais agredir, gritar ou ofender as damas, enfim, usar de todos os salamaleques possíveis para mostrar que somos verdadeiros e educados cavalheiros. Se bem que alguns homens confundem “cavalheiro” com “cavaleiro” e usam suas esporas e chicotes para humilhar, maltratar e até bater em suas caras metades.

Estive estes dias em São Paulo e de repente descobri que algumas mulheres deixaram de ser “cavalheiras”, mimosas e delicadas. E descobri isso observando o trânsito pesado da cidade. Há mulheres motoristas tão agressivas e neuróticas como o mais irracional dos motoristas homens. Elas lutam ferrenhamente por seu espaço, não admitem que alguém lhes dê uma “fechada”, aceleram seus possantes mais do que o bom senso nos aconselha, enfim, estão mais para cavaleiras brandindo esporas e chicotes chegando a utilizar seu automóvel como uma arma. Não dão espaço para outros carros que estejam tentando sair de uma vaga, de um estacionamento, de uma garagem. Em ruas e avenidas onde faixas duplas se transformam em fila única, ai de você se tentar encaixar seu carro antes dela. Cheguei a ver uma motorista encostar o pára-choques no carro da frente, apenas para não me dar a possibilidade de passar para a faixa única.

O mundo realmente mudou. Damas que não são mais damas, homens que não são mais homens, gentileza masculina sendo confundida com “gaysice”, grosseria feminina sendo confundida com liberação feminina, damas soltando palavrões cabeludos... O que mais o Século XXI nos reserva?
Foto:Mobileweb- Word Press

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