16.7.08

Greenhalgh: mocinho ou bandido?

O afastamento do delegado da Polícia Federal no caso Daniel Dantas lança uma desconfiança. Não teria sido uma extraordinária coincidência que esse afastamento tenha ocorrido logo após ser divulgada uma conversa telefônica do advogado Eduardo Greenhalgh, queixando-se do delegado em questão, com Gilberto de Carvalho, o chefe de gabinete do Lula?

Membro fundador do PT, Greenhalgh defendeu lideranças sindicais e políticas perseguidas pela ditadura, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e participou da fundação do Comitê Brasileiro pela Anistia.

Foi vice de Luiza Erundina na Prefeitura de São Paulo (1989-1992), quando assumiu também a Secretaria de Negócios Extraordinários. Em novembro deixou o cargo em meio a denúncias que nunca se confirmaram, que o envolviam na cobrança de propina da empresa de construção Lubeca.

Veja o que escreve o jornal “O Estado de São Paulo:

A quadrilha supostamente montada pelo banqueiro Daniel Dantas tinha no advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal do PT, um de seus principais braços para tentar barrar as investigações da Polícia Federal. "Greenhalgh fez contato com um órgão do Executivo", limitou-se a dizer o procurador da República Rodrigo de Grandis. Em um telefonema recente, o ex-deputado conversou com o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, em busca de informações sobre a investigação sigilosa da PF.

Para o Ministério Público Federal, não há dúvida de que Greenhalgh era integrante da organização criminosa. Por isso, o procurador pediu à Justiça a decretação da prisão temporária de Greenhalgh, que foi negada.

Segundo o Ministério Público, foi apurado que Greenhalgh fez parte do esforço da organização para descobrir a natureza do procedimento da PF e quem era o delegado encarregado da investigação. "Ele participa dessa articulação para descobrir onde estava o procedimento e de todas as informações que, por força legal, são sigilosas. Era por meio dele que Daniel Dantas contava ter acesso dentro do governo", afirmou o procurador.Em outras palavras: dá para desconfiar que tenha sido Greenhalg o responsável pela exclusão do delegado no caso, pois suas palavras gravadas deram a entender que o delegado estava “atrapalhando” seu cliente.

Ai de nós se cairmos nas mãos desse tipo de gente. Basta um telefonema deles e... bau-bau! Somem com a gente. Para sempre.

Foto: "O Estado de São Paulo"

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