26.5.07

Suicidando publicitários

(Artigo “Quanto custa o suicídio” de Celso Muniz em seu blog cemgrauscelsius)

Se os salários não valem mais a pena, se a dita criatividade é uma repetição só, se o glamour não passa de decadência sem elegância alguma, por que diabos tanta gente ainda insiste na carreira de publicitário? Se tem talentos, não devem ser espertos. Se não tem, devem ser muito espertos como os de agora acham-se. Na maioria jovens de classe média, que pagam pela faculdade o que não vão ganhar sequer metade nos primeiros anos de trabalho. Muitos chegam de carros que entortam de inveja donos de agência que por isso mesmo por um lado os vê com bons olhos - principalmente os parentes de clientes - por outro lado angariam aquele misto de inveja e indignação, tão tola e pueril, nem por isso menos venenosa, no vice-versa da equipe.
Mas não só são os jovens da classe média que sonham com a carreira futebolística das profissões descoladas. A publicidade é quase o futebol das mentes inadaptadas às carreiras ortodoxas ou, já começa a ser, das mentes antenadas com novos comportamentos. O problema é que ser antenado não é a mesma coisa que ser talentoso ou ter aptidão nata para compreender os delicados, óbvios mas não tanto, por isso mesmo desprezados comportamentos da mente humana, requisito indispensável para se conseguir ser um publicitário efetivo.
Uma das confusões ligeiras que resulta em muito do que aí está é a tal noção de modernidade. Nada mais velho do que os jovens de hoje, apesar da avalanche de informação a que estão submetidos. Ainda assim, esta é a geração mais ignorante, mal informada e mal preparada para a atividade que se tem conhecimento, apesar de tudo que lhes é prometido e "ensinado" nas faculdades e ambas que replicam-se como memória virtual de baixa impedância.
A tal cultura geral que fazia com que um publicitário discorresse com quase naturalidade sobre física quântica, samba ou campeonato de porrinha sumiu. Sem cultura e informação diletante o repertório afunilou, cristalizou. E o que se vê é um universo paralelo dos sí mesmos. Ser antenado é transpor para o comercial de automóvel o espelho do game cujo conceito é game over já no start da idéia. Ser antenado é discorrer sobre i-phone como se tivesse sido inventado por ele. Ser antenado é ficar o mais longe possível do povo consumidor num país do varejo onde o varejo não se renova desde os anos 60.
Ainda assim todos querem ser publicitários, e quando se diz ser publicitário continua majoritariamente o entendimento ser um cara de criação como se todos na agência, que é um negócio, ou deveria, de venda de idéias, não fossem caras ou caretas de criação. Pegue um planejador, um mídia, um atendimento, não criativo e veja só as repartições públicas que tem por aí com nome de agência, o que aliás espanta, já que tão antenados, não deveriam usar este conceito.
As próprias contradições desta mente que precisa ser entendida para se fazer publicidade ou melhor comunicação, quase-explicam porque no auge do declínio da forma como ainda é entendida estamos no auge da procura acadêmica dos cursos de publicitário. Eu disse curso de publicitário e não de publicidade, não sei se fui demasiadamente sutil.
Quanto custa este suicídio na forma e conteúdo como é vendido, ensinado, praticado e auto-esfoliado no próprio mercado?
A resposta está no bolso de cada um de nós, a maioria, olha o pleonasmo aqui gente, a grande maioria, contendo um i-pod e um miserê de tal nível que tem muito publicitário pedindo emprestado à recepcionista um vale para o lanche.
P.S.: dia destes, num blog intitulado comunicadores de plantão, um publicitário antenado respondia uma questão que abateu-se sobre publicitários leitores do blog. Qual a diferença ente diretor de arte e diretor de criação. A resposta que me fez corar tamanha a estupidez da ignorância, entre outras deformidades em síntese, apontava que o diretor de criação era um diretor de arte que dava o norte, o que demonstrava a ignorância sobre o fato de que na história mundial da propaganda os redatores fizeram esta história valer bem mais. Esta é a geração que se explica a sí própria, ainda assim, sem a mais absoluta noção, histórica ou factual daquilo que lhes é indigesto por isto mesmo.
Celso Muniz

Um comentário:

  1. Oi, achei teu blog pelo google tá bem interessante gostei desse post. Quando der dá uma passada pelo meu blog, é sobre camisetas personalizadas, mostra passo a passo como criar uma camiseta personalizada bem maneira. Até mais.

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