6.5.07

Direito à esperança de cura e vida, sim. Ao obscurantismo, não.

A partir de uma decisão do Sub-Procurador Geral da República, Claúdio Fonteles (vide a seguir), a comunidade científica criou uma petição destinada a colher o apoio dos brasileiros em relação às pesquisas com células-tronco embrionárias:

”Brasília, 20 de abril de 2007. Definitivamente, um marco na história do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 178 anos de existência, a mais alta corte do Brasil realizou, pela primeira vez, uma audiência pública. Objetivo: ouvir cientistas sobre a lei que autoriza a realização no país de pesquisa com células-tronco embrionárias. Pudera. É a aposta de investigadores do mundo inteiro para a cura de várias doenças ainda incuráveis, como mal de Parkinson, diabetes, doenças neuromusculares e secção da medula espinhal por acidentes e armas de fogo.

A avançada lei foi aprovada pelo Congresso Nacional por placar estrondoso: 96% dos senadores e 85% dos deputados federais deram-lhe a vitória. O presidente Luís Inácio Lula da Silva fez o mesmo. Rapidamente a sancionou. Só que ela parou no STF porque o subprocurador-geral da República, Cláudio Fonteles, alegou que é inconstitucional. Questionado sobre se sua ação não teria motivação religiosa, o franciscano Fonteles acusou a geneticista, professora e cientista Mayana Zatz de viés judaico. Fonteles disse ao jornal Folha de S. Paulo: “A doutora Mayana Zatz, que é o principal elemento de quem pensa diferentemente da gente, tem também uma ótica religiosa, na medida em que ela é judia e não nega o fato. Na religião judaica, a vida começa com o nascimento do ser vivo. Então, ao defender a posição dela, ela defende a posição religiosa dela, que é judia e que a gente tem de respeitar”.

A petição continua, expondo as importantes razões para o prosseguimento das pesquisas. Felizmente, Mayana não está sozinha. A defesa da pesquisa com células-tronco embrionárias já permeia largos segmentos da comunidade científica e da sociedade civil brasileiras. Mais de 13.000 pessoas já assinaram a petição até cerca de 10:00h da manhã deste domingo 6 de maio. A petição termina com o seguinte texto:

“Por tudo isso, nós – de diferentes religiões, etnias, profissões, níveis socioeconômicos, idades – repudiamos a desesperada manobra para desviar o foco do debate. À Mayana, nosso apoio e solidariedade irrestritos. A sua batalha pela vida é também de todos nós. Direito à esperança de cura e à liberdade de pesquisa, sim. Ao obscurantismo, não.”

Entre no site
www.petitiononline.com/pesqcel/petition.html, leia a petição completa e se estiver de acordo com o prosseguimento das pesquisas, assine você também.

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