10.4.07

A palavra e sua força de destruição

A Folha de Londrina publicou no domingo, 08/04, uma entrevista com o educador Virgílio Tomasetti Jr, diretor de conceituado colégio na cidade, versando sobre violência nas escolas. Infelizmente, o educador fez acusações e emitiu conceitos sobre o Rabino Henry Sobel, um tema absolutamente fora do contexto, em resposta à pergunta baixo:

Folha de Londrina: “Estamos vivendo uma crise de valores perenes?“
Virgílio Tomasetti Jr.: “Hoje os valores são efêmeros. Nem a própria família acredita nos valores. E as autoridades dão provas inequívocas de que eles próprios não têm vergonha na cara. O rabino maior do Brasil foi preso em Nova York roubando gravatas, quer dizer, o que faz um homem, que é um homem de Deus, que acredita no Velho Testamento, roubar gravatas? É difícil até para mim, que sou um homem de 55 anos de idade e de cabelos brancos, entender isso. Aqueles que deveriam ter os valores interiorizados, aqueles que são os condutores da sociedade são os que mais roubam e praticam crimes.”

Por conhecer o rabino Henry Sobel desde sua chegada ao Brasil nos anos 1970 e conhecer sua invejável biografia, enviei hoje (10/04) a seguinte carta à Folha de Londrina:

À Folha de Londrina:

É inconcebível que o Sr. Virgílio Tomasetti Jr., um educador com 55 anos de idade e cabelos brancos, como ele mesmo orgulhosamente afirma, coloque na entrevista uma comparação tão descabida e fora do contexto, apontando o rabino Henry Sobel como um simples ladrão. O educador demonstra total falta de informações a respeito:

1- O rabino Sobel não é o “rabino maior do Brasil.” Talvez seja o mais conhecido. Há vários rabinos no país tão ou mais importantes. Ele é o Presidente (momentaneamente licenciado) do Rabinato da Congregação Israelita Paulista. Citá-lo apenas como um ladrão de gravatas é, no mínimo, grosseiro.

2 – O educador deve ter faltado a alguma aula sobre ética e não aprendeu nada com o célebre e lamentável problema da Escola Base de São Paulo, quando equívocos e acusações falsas levaram à ruína a escola e seus proprietários. Por ora, o rabino está apenas na situação de suspeito no tribunal da Flórida (e não em Nova York). Seu caso ainda nem foi julgado.

3 – Médicos do Hospital Albert Einstein de São Paulo já emitiram um laudo, constatando que o rabino passa por transtornos comportamentais provocados por excesso de medicamentos. Reportagem da Revista Veja reitera essa versão.

4 – Uma lista de apoio ao rabino ( http://www.petitiononline.com/petsobel/petition.html
) começou a circular no dia 3 de abril e já conta com mais de 10.000 assinaturas, vindas de todos os pontos do país e até do Exterior.

5 - Certamente o educador desconhece a história do rabino, que foi um dos poucos, junto com o Cardeal Arns, que ousaram enfrentar os militares na época da ditadura, em especial no caso do jornalista Vladimir Herzog (Vlado).

6 – Temos netos no colégio do educador. Nossa expectativa é que aprendam, além do conteúdo da grade curricular, lições sobre ética, verdade e respeito humano, assegurando-se da veracidade dos fatos antes de emitirem conceitos ou denúncias infundadas que denigram a imagem de uma pessoa de bem, como fez o educador.

Julio Ernesto Bahr

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