26.1.07

A criação publicitária nos tempos da prancheta. Parte 6, final

Julio Ernesto Bahr


Ao descrever a criação publicitária nos tempos da prancheta, minha intenção foi preservar para as próximas gerações um pouco da história de como trabalhávamos antes do advento do computador. Mais ou menos como as histórias das fragatas do Cabral comparadas aos modernos transatlânticos de hoje. Ou, de como um dia o homem descobriu o fogo esfregando duas pedras.

Dos capítulos anteriores o leitor certamente terá percebido que muitas das especialidades descritas nem existem mais.

Nas artes gráficas, os novos processos de impressão, com equipamentos cada vez mais modernos e automatizados, levaram de roldão os tipógrafos, tiradores de provas, especialistas em clichês e estéreos, e a maior parte do pessoal de fotolito.
Já faz também um longo tempo desde que foram eliminadas as palavras linotipo, monotipo, clichês, caixas de tipos e impressão tipográfica. Grande parte das velhas máquinas tipográficas está encostada em um canto, foi enviada para pequenas tipografias do interior ou ainda, vendida como sucata.

Nas agências de propaganda também se extinguiram os empregos dos paste-ups, dos especialistas em retoque americano, de scratch-board e dos letristas, além das pranchetas, pincéis, bastões de pastel, lápis carvão, tira-linhas, esquadros, prisma e outros objetos. A palavra layoutman ficou meio perdida no tempo e no espaço. As datilógrafas perderam espaço para os digitadores.

Uma nova terminologia veio substituir ou se juntar aos cargos e funções na atividade publicitária, como web design, graphic design, especialistas em photoshop, vídeo-arte e animação gráfica, publicações digitais e tantas outras.
Novos birôs de pré-impressão e gráficas de impressão digital e vieram se somar ao mercado.

A grande diferença pré e pós-computador era a presença indispensável do layoutman, artista com muitos anos de prática que desenhava as criações no papel, resultado do trabalho da dupla diretor de arte e redator. Hoje, o layoutman foi substituído pelos operadores de programas gráficos e de photoshop do computador.

Parte dos antigos layoutmen, hoje na faixa dos sessenta anos, chamados pelos mais jovens de dinossauros, conseguiu trocar a prancheta pelo computador e ainda é capaz de dar um banho de criatividade na rapaziada pós-computador.

Outros, simplesmente se afastaram da atividade publicitária, dedicando-se à pintura, à fotografia e a outras artes visuais.

Como se vê, o progresso traz soluções, mas deixa muitas vítimas pelo caminho.

A ilustração mostra um layout executado manualmente para a capa de um folder, na década de 1970. É uma das pouquíssimas peças salvas da limpeza e do descarte feitos na agência na época da chegada dos nossos computadores.


Empresa: Condulli Fios e Cabos, São Paulo, SP
Agência: Julio E. Bahr Propaganda
Layoutman: Alfredo Winkler

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