17.12.06

Lula diz que ditadura no Brasil "não foi tão violenta" como no Chile



(da Folha Online, em Brasília)


Cinco dias após a morte do ditador do Chile Augusto Pinochet, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (15/12) que a ditadura militar no Brasil "não foi tão violenta" como no vizinho sul-americano. "O Brasil tem uma história diferente de outros países. Mesmo a ditadura no Brasil não foi violenta como foi no Chile, como foi em outros países. Houve processo de anistia negociado inclusive com as pessoas que participaram do processo", afirmou.


”Jogaram-no na cela.
Foi recobrando lentamente a consciência. O corpo moído. Tudo doía, cabeça, peito, costas, braços, pernas, mãos. Mentalmente, percorreu seu corpo de alto a baixo, tentou descobrir algum ponto indolor.
Deu-se conta de que estava gemendo.
Deu-se conta de que estava inteiramente nu.
Perdeu novamente a consciência.”



Continua a Folha:
Ao ser questionado sobre a abertura dos arquivos do regime militar, que não foi totalizada em seu governo, o presidente reconheceu que o Executivo ainda não conseguiu tornar público muitos fatos do período da ditadura --entre os anos de 1964 e 1985. "Mandamos parte do arquivo para o Rio de Janeiro, mas tem coisas que não descobrimos. Determinadas coisas você tem que ver se alguém que participou contou para você", disse.



“Acordou, lentamente abriu os olhos. A cela úmida estava envolta em uma semi-escuridão. Não sabia se por ser a hora do lusco-fusco, ou se a tênue iluminação era a natural da cela. Não se mexeu do lugar, as dores ainda eram fortes. Curtos flashes desfilaram na sua mente. Os soldados saídos do nada de súbito em sua casa, a violência com que o empurraram no camburão, a chegada no quartel, sua passagem no meio de um corredor polonês enquanto ia sendo surrado, as roupas arrancadas.”


Finaliza a Folha:

O governo Lula manteve inacessíveis os arquivos com documentos sigilosos produzidos pelo regime militar brasileiro. A União também se esforça, na Justiça, para impedir que novos papéis sejam liberados. Há três meses, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, enviou ofício ao presidente pedindo a abertura dos arquivos. O chefe do Ministério Público Federal havia estipulado prazo de dois meses --que expirou em de 11 de novembro-- para o presidente responder e tomar previdências, mas ele ainda não atendeu ao pedido.



“Amarraram-no em um pau-de-arara, dois homens encapuzados fazendo perguntas, o início do espancamento, as dores lancinantes, desmaios. Mais surras, mais desmaios. Imagens vagas de fios elétricos, choques, baldes de água na cara, botinadas no corpo, a cabeça enfiada na latrina, desmaio.” (*)



(*) Trechos iniciais de conto, ainda sem nome, que comecei a escrever logo após a morte do ditador Pinochet, envolvendo tristes lembranças e descrições de brasileiros sobreviventes às torturas.

Será que o Presidente Lula quer escamotear a verdadeira história da ditadura no Brasil? Quantos deverão ser os mortos e desaparecidos para caracterizar a gravidade de uma ditadura? Existe meia ditadura, meia morte, meio desaparecimento?

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