20.12.06

A criação publicitária nos tempos da prancheta. Parte 4

Ah, a velha typographia!

Não que eu seja do tempo do ph.

Mas são cerca de cinco décadas convivendo com artes gráficas, passando trabalhos de pré-impressão e impressão para as velhas tipografias, clicherias, estereotipias, linotipadoras e componedoras, que se transformaram nos atuais birôs, fotolitografias e gráficas.

Caiu-me nas mãos um velho catálogo de tipos, vale a pena ler:

Esta geração que aí está, dominando com extraordinária perícia computadores, hardwares e softwares, com sofisticados programas gráficos, não tem a menor idéia dos quase rudimentos que as artes gráficas representavam há quatro, três e até duas décadas.

Não encontrei no catálogo nenhum tipo com corpo maior do que 72 pontos.
Lembro-me que para corpos maiores, existiam tipos de madeira, pois os fundidos em metal não agüentavam a pressão das máquinas de impressão ou de provas.

Usávamos provas em papel glacê: a velha clicheria Lastri (São Paulo) entregava às agências um belíssimo catálogo de tipos, com as famílias bem ordenadas, tudo dentro de uma caixa de madeira. O “catálogo” ficava na mesa do produtor e do layoutman e era por lá que pedíamos as composições para colar nas artes finais.

Quando nós, nas agências de propaganda, criávamos anúncios, havia sempre o dilema de como aplicar o título da chamada. Revistas americanas serviam de inspiração. Caso não encontrássemos “similares” no catálogo da Lastri, nós mesmos desenhávamos os títulos, após anos de aprendizado com a ajuda do catálogo da Speedball.
Se nossos esforços para desenhar títulos resultassem em fracasso, então era hora de chamar o Mineirinho – um desenhista letrista que atendia a praticamente todas as agências de São Paulo. Nunca vi nenhuma devolução dos seus desenhos, tão perfeitos e caprichados que eram seus trabalhos.

Mineirinho cobrava por letra e mandava a sua fatura no fim de cada mês. Imagino que tenha ficado riquíssimo. Nunca mais soube dele, principalmente quando chegaram ao Brasil as fotoletras – uma maravilha para os diretores de arte, pois podíamos pedir tipos de letras até então jamais vistos e – o melhor – ampliados para qualquer tamanho.

Depois das fotoletras, outras novas técnicas surgiram rapidamente.
Técnicas que serão abordadas no próximo capítulo.
Julio Ernesto Bahr

Este artigo já foi publicado na Revista Pancrom (SP), na Revista Midiograf (Londrina)
e inserido no site da APP (Associação dos Profissionais de Propaganda de Londrina)

Um comentário:

  1. Olá, Julio.
    Muito interessante o seu texto.

    Ando a procurar catálogos de tipos, mais especificamente dos anos 60 e 70, principalmente de fotoletras, e da Letraset. Será que os diretores de arte guardaram essas publicações? Espero que sim.

    Fiquei curioso sobre a história do Mineirinho. Seria uma figura interessante com quem se conversar (sobre desenho de letras).

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