28.11.06

Uma capa de livro sobre a Revolução de 1932


Julio Ernesto Bahr


O artigo que escrevi sobre litografia e a história do mapa da Revolução de 1932 me fizeram lembrar de outra historinha: como foi que o mesmo mapa salvou a minha pele.


Certa manhã de uma sexta-feira qualquer do ano de 1970, um cliente da minha agência ligou-me e pediu-me o favor de elaborar uma capa de livro para o seu pai, Benedicto Pires de Almeida, historiador da cidade de Tietê, SP.

O livro estava terminado. Era a história da Revolução de 1932 focando os acontecimentos na cidade de Tietê. Um documento histórico. Faltava a capa.

O problema era o prazo: eu deveria encaminhar a arte-final, prevista em duas cores, já na segunda-feira. Qualquer layout que eu criasse estaria antecipadamente aprovado. Em outras palavras: era mais uma daquelas sangrias desatadas que se exigem dos publicitários.

Pensei com meus botões: “Não conheço quase nada sobre a Revolução de 1932 e tampouco possuo quaisquer referências a respeito. Darei um pulinho na Biblioteca Municipal no sábado e lá resolvo o problema”.

Publicitário sofre: a biblioteca não abriu naquele fim de semana.

Salvou-me o mapa que eu possuía. Fotografei uma pequena área em preto/ branco, destacando a região de Tietê e o resto foi puro grafismo.

Na segunda-feira a arte-final foi entregue.

Recebi algum tempo depois um livro autografado do historiador, com a dedicatória: “Amigo Julio. Com a minha gratidão pela sua valiosa colaboração que muito veio valorizar este livro, oferece o Benedicto Pires de Almeida. São Paulo, 08/06/1970”.

Ufa!

Um comentário:

  1. Excelente comentário Sr Julio... quanto mais pressão melhor a solução... abraço.

    ResponderExcluir