22.11.06

Meu partido político


Julio Ernesto Bahr

Um amigo me perguntou outro dia qual é, afinal, o meu partido político já que, segundo ele, no blog estão inseridos textos conflitantes. Na matéria que escrevi sobre o Pasquim, falo mal da ditadura militar que tivemos de engolir goela abaixo por tantos e tantos anos. Na matéria sobre o “albanês” Aldo Rebelo, falo mal dele, coitado, e do pessoal e das teorias do PC do B. O Lula e seu PT, um partido que já foi modelo de organização, hoje são tão ruins que nem vale mais a pena comentar.

Por isso, meu amigo deduziu que eu seria um tipo, assim, como direi, mais do centro. Mas seria eu então do centro direita ou do centro esquerda?

Eu só poderia responder que sou do Partido do Bom Senso.

Pena que esse partido político não exista. Não existe, pela simples razão de que não existem políticos de bom senso. Não existem políticos de bom senso porque o sistema político não é nem um pouco sensato. Ou você chamaria de sensato um poder legislativo que deveria trabalhar para propor leis, mas cuja face mais visível é a briga (de foice) por cargos e pela distribuição de verbas – na verdade, incumbência do poder executivo - para prefeituras e órgãos municipais?

Ou que se envolveu a fundo (e bota fundo nisso) nos casos do mensalão, das sanguessugas, do dinheiro público sacado do Banco Rural, do tal dossiê etc.?

Já que o Legislativo pouco legisla e perde tempo tratando da distribuição das verbas, o Poder Executivo troca suas funções e vive soltando leis (as tais medidas provisórias), a torto e a direito. Quer dizer, o Executivo tenta legislar e o Legislativo tenta governar.

Mesmo sem entrar no mérito das zilhões de coisas erradas na política brasileira, fica fácil deduzir que enquanto não for implantada uma ampla reforma política, que inclua rígida fidelidade partidária, jamais poderá existir bom senso entre os políticos. O sistema atual é simplesmente conflitante com o bom senso.

Ninguém poderá chamar de sensatas as eleições de Clodovil, Maluf, Jader Barbalho, João Paulo Cunha, Genoíno, Belinatti (esse aí é o Maluf do norte do Paraná) e tantos outros “expoentes” do oportunismo ou da malandragem. Isso para não falar outra coisa.

Assim, nas épocas de eleições, só me resta tentar escolher um candidato que se aproxime mais das minhas convicções. Quando voto em algum candidato, espero que o escolhido seja o menos corrupto, o menos malandro e o menos antiético. Que não mude de partido no meio do mandato, que não nomeie dezenas de parentes e amigos usando o nosso dinheiro, que não exagere nos preenchimentos dos cargos de confiança. Que não mude suas convicções e que não traia suas promessas de campanha.

Meus candidatos nunca são eleitos.


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