31.10.06

Eleições presidenciais: veja pelo lado positivo!


Para os 39% de eleitores que ficaram decepcionados no dia 29 de outubro, restou no mínimo uma lição muito proveitosa: como criar um partido político vitorioso.
O PT é, sem dúvida, há muito tempo, o partido político mais bem estruturado do Brasil. Há anos e anos os petistas vêm tecendo uma rede de afiliados e partidários de baixo para cima, buscando simpatizantes nas associações de bairros, nos sindicatos, no operariado, no professorado, nas regiões pobres, nas igrejas e entidades religiosas. Essa rede é, em sua maioria, formada por brasileiros que os entendidos dizem pertencer ao lado Índia, no país apelidado (não sei se justa ou injustamente) de Belíndia.
Ética à parte, desde o começo o PT jogou todas suas fichas na figura de um operário inteligente, carismático, que cativou as massas com sua linguagem tosca e à imagem delas. Em nenhum momento surgiu outra figura relevante para se interpor no caminho e embaçar a imagem do seu candidato único, que chega pela segunda vez à presidência da República. Quem tentou, se deu mal (leia-se Suplicy).
Essa jornada vitoriosa, que desgostou a tanta gente, deveria servir de lição aos caciques do PFL, PSDB, PMDB, e a tantos outros. Não adianta mais criar um partido político de cima para baixo, nos moldes elitistas da velha e ultrapassada UDN, com dezenas de pré-candidatos se digladiando para decidir no último minuto do segundo tempo da prorrogação qual deles disputará o pleito, uns falando mal dos outros e minando reciprocamente suas bases, antes mesmo de descobrir se peixe-boi é peixe ou mamífero.
O próximo partido que vier a disputar as eleições de 2010 contra o PT, deverá rever suas convicções e fazer uma leitura mais realista da nossa Belíndia, que provavelmente contará com perto de 200 milhões de habitantes. Uns 40% deles estarão vivendo (se é que se pode dizer viver) em casebres e barracos nas periferias e no entorno das grandes cidades ou em regiões empobrecidas.
A hora de os derrotados escolherem seus candidatos para a próxima eleição é aqui/agora, algo assim como “ontem antes do almoço” - e começarem a tratar da sua imagem.
De positivo, com toda certeza, teremos um período de quatro anos muito fértil em análises, discussões e aprendizado para os analistas e comentaristas políticos, economistas, marqueteiros (que prefiro chamar mesmo de publicitários) e até para os próprios políticos. Se é que grande parte destes últimos consegue entender alguma coisa do que está escrito aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário