28.12.06

Frases desvirtuadas, mas verdadeiras

“O negócio é a alma da propaganda”

20.12.06

A criação publicitária nos tempos da prancheta. Parte 4

Ah, a velha typographia!

Não que eu seja do tempo do ph.

Mas são cerca de cinco décadas convivendo com artes gráficas, passando trabalhos de pré-impressão e impressão para as velhas tipografias, clicherias, estereotipias, linotipadoras e componedoras, que se transformaram nos atuais birôs, fotolitografias e gráficas.

Caiu-me nas mãos um velho catálogo de tipos, vale a pena ler:

Esta geração que aí está, dominando com extraordinária perícia computadores, hardwares e softwares, com sofisticados programas gráficos, não tem a menor idéia dos quase rudimentos que as artes gráficas representavam há quatro, três e até duas décadas.

Não encontrei no catálogo nenhum tipo com corpo maior do que 72 pontos.
Lembro-me que para corpos maiores, existiam tipos de madeira, pois os fundidos em metal não agüentavam a pressão das máquinas de impressão ou de provas.

Usávamos provas em papel glacê: a velha clicheria Lastri (São Paulo) entregava às agências um belíssimo catálogo de tipos, com as famílias bem ordenadas, tudo dentro de uma caixa de madeira. O “catálogo” ficava na mesa do produtor e do layoutman e era por lá que pedíamos as composições para colar nas artes finais.

Quando nós, nas agências de propaganda, criávamos anúncios, havia sempre o dilema de como aplicar o título da chamada. Revistas americanas serviam de inspiração. Caso não encontrássemos “similares” no catálogo da Lastri, nós mesmos desenhávamos os títulos, após anos de aprendizado com a ajuda do catálogo da Speedball.
Se nossos esforços para desenhar títulos resultassem em fracasso, então era hora de chamar o Mineirinho – um desenhista letrista que atendia a praticamente todas as agências de São Paulo. Nunca vi nenhuma devolução dos seus desenhos, tão perfeitos e caprichados que eram seus trabalhos.

Mineirinho cobrava por letra e mandava a sua fatura no fim de cada mês. Imagino que tenha ficado riquíssimo. Nunca mais soube dele, principalmente quando chegaram ao Brasil as fotoletras – uma maravilha para os diretores de arte, pois podíamos pedir tipos de letras até então jamais vistos e – o melhor – ampliados para qualquer tamanho.

Depois das fotoletras, outras novas técnicas surgiram rapidamente.
Técnicas que serão abordadas no próximo capítulo.
Julio Ernesto Bahr

Este artigo já foi publicado na Revista Pancrom (SP), na Revista Midiograf (Londrina)
e inserido no site da APP (Associação dos Profissionais de Propaganda de Londrina)

19.12.06

O ato de escrever (6)

"Escrever é fácil: você começa com uma letra
maiúscula e termina com um ponto final.
No meio você coloca idéias."
(Pablo Neruda)

17.12.06

Lula diz que ditadura no Brasil "não foi tão violenta" como no Chile



(da Folha Online, em Brasília)


Cinco dias após a morte do ditador do Chile Augusto Pinochet, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (15/12) que a ditadura militar no Brasil "não foi tão violenta" como no vizinho sul-americano. "O Brasil tem uma história diferente de outros países. Mesmo a ditadura no Brasil não foi violenta como foi no Chile, como foi em outros países. Houve processo de anistia negociado inclusive com as pessoas que participaram do processo", afirmou.


”Jogaram-no na cela.
Foi recobrando lentamente a consciência. O corpo moído. Tudo doía, cabeça, peito, costas, braços, pernas, mãos. Mentalmente, percorreu seu corpo de alto a baixo, tentou descobrir algum ponto indolor.
Deu-se conta de que estava gemendo.
Deu-se conta de que estava inteiramente nu.
Perdeu novamente a consciência.”



Continua a Folha:
Ao ser questionado sobre a abertura dos arquivos do regime militar, que não foi totalizada em seu governo, o presidente reconheceu que o Executivo ainda não conseguiu tornar público muitos fatos do período da ditadura --entre os anos de 1964 e 1985. "Mandamos parte do arquivo para o Rio de Janeiro, mas tem coisas que não descobrimos. Determinadas coisas você tem que ver se alguém que participou contou para você", disse.



“Acordou, lentamente abriu os olhos. A cela úmida estava envolta em uma semi-escuridão. Não sabia se por ser a hora do lusco-fusco, ou se a tênue iluminação era a natural da cela. Não se mexeu do lugar, as dores ainda eram fortes. Curtos flashes desfilaram na sua mente. Os soldados saídos do nada de súbito em sua casa, a violência com que o empurraram no camburão, a chegada no quartel, sua passagem no meio de um corredor polonês enquanto ia sendo surrado, as roupas arrancadas.”


Finaliza a Folha:

O governo Lula manteve inacessíveis os arquivos com documentos sigilosos produzidos pelo regime militar brasileiro. A União também se esforça, na Justiça, para impedir que novos papéis sejam liberados. Há três meses, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, enviou ofício ao presidente pedindo a abertura dos arquivos. O chefe do Ministério Público Federal havia estipulado prazo de dois meses --que expirou em de 11 de novembro-- para o presidente responder e tomar previdências, mas ele ainda não atendeu ao pedido.



“Amarraram-no em um pau-de-arara, dois homens encapuzados fazendo perguntas, o início do espancamento, as dores lancinantes, desmaios. Mais surras, mais desmaios. Imagens vagas de fios elétricos, choques, baldes de água na cara, botinadas no corpo, a cabeça enfiada na latrina, desmaio.” (*)



(*) Trechos iniciais de conto, ainda sem nome, que comecei a escrever logo após a morte do ditador Pinochet, envolvendo tristes lembranças e descrições de brasileiros sobreviventes às torturas.

Será que o Presidente Lula quer escamotear a verdadeira história da ditadura no Brasil? Quantos deverão ser os mortos e desaparecidos para caracterizar a gravidade de uma ditadura? Existe meia ditadura, meia morte, meio desaparecimento?

16.12.06

Narizes de palhaço. Caras de palhaço. Roupas de palhaço. Será que somos mesmo palhaços?



As “otoridades” acham que somos palhaços.
Elas vivem nos impingindo uma série de bobagens, e esperam que fiquemos quietinhos em nossos cantos.
CPMF. Já deu tanto pano para mangas! Agora o “P” de provisório está virando oficialmente permanente. Imposto que foi criado inicialmente para sanear os problemas da saúde, está destinando só pouco mais da metade dos 0,38% para essa finalidade.
Novo aumento dos salários de deputados. Um absurdo! Os seus salários somados às mordomias e outras tantas verbas, os tornam uma classe de milionários, completamente fora dos padrões de ganhos da população. Os números tornam-se tanto mais afrontosos quando se sabe que eles cortaram os aumentos reais dos aposentados, que continuam com seus ganhos sendo anualmente reduzidos e achatados.
Redução das penas de quem cometeu crimes hediondos. São geralmente sociopatas, desequilibrados mentais, assassinos frios e psicopatas e a maioria não tem quaisquer possibilidades de ressocialização. Mesmo assim, os juízes acreditam que eles podem retornar à sociedade após cumprirem 1/6 da pena. Logo estarão de volta às ruas, repetindo os mesmos atos que os levaram à condenação.
MST. Os sem-terra agem livremente invadindo propriedades, inclusive produtivas, levando destruição e vandalismo por toda parte. E o governo não reage, até dá apoio e assiste passivamente a esses atos ilegais.
Planejamento urbano. Deixaram as coisas chegar ao ponto em que chegaram: parece que não existe cidade de média para grande no Brasil que não apresente a sua face mais feia, aqueles micro-lotes com casas (?) mal acabadas, feias, perigosas, a maioria em loteamentos clandestinos, em morros, sob viadutos, à beira de rodovias e em áreas de risco. As prefeituras fazem vista grossa e vão deixando construir mais e mais casebres. A cada temporada de chuvas, os dramas de mortes, soterramentos e feridos se repetem.
Queimadas e desmatamento. De repente, a televisão (que não tem nem o poder nem a missão de policiar), mostra os incríveis abusos de madeireiras e fazendeiros, queimando e desmatando indiscriminadamente áreas monumentais, somando o tamanho de centenas de campos de futebol. O triste é saber que os criminosos fazem isso seguidamente há anos, as fotos de satélites apontam os locais diariamente para os técnicos... e as “otoridades” só começam a agir quando o mal já está tão disseminado que a recuperação dessas áreas levaria décadas.
E a poluição dos rios, a devastação provocada por mineradoras e pedreiras, o lixo, a poluição visual nas cidades, a desorganização no trânsito, a fumaça preta espalhada por caminhões e ônibus, os incontáveis acidentes provocados pelas estradas esburacadas, a agressividade dos perueiros e motoqueiros, a corrupção?
Corrupção que mereceria um capítulo à parte e não caberia no espaço de um só blog!
Aí a gente se olha no espelho e enxerga um nariz de palhaço, uma cara de palhaço, uma roupa de palhaço. Fica cada vez mais difícil provar que o espelho é mentiroso e que na verdade nós não somos palhaços, não.

15.12.06

Os escribas


Paz Encetada
Lá vem o au au!
Mexendo a cauda
E com olhar de mau,
O tamanduá saúda...
O grandalhão elefante
Vem todo faceiro,
De tromba marcante
E de andar maneiro.
Sé se acredita,
No pulo do gato,
Que vive e medita,
Na caça do rato.
O ataque do urso,
Na beira do rio,
Com grandeza e pulso,
O lobo feriu!
Aproxima a onça,
Bem desconfiada,
Na boca uma lontra,
Por ela caçada.
Contente a zebra,
De cabeça erguida,
Com a língua presa,
Anunciando a partida.
Fuçando a terra,
O tatu-galinha
E decreta guerra,
A toda turminha.
A ruminante girafa
Engrossa o pescoço,
No chão toca a pata!
E fura um poço...
Cadê a justiça?
Acena o leão
E rosna com preguiça,
Sem perder a razão...
Por que desavença?
Insinua a queixada!
Arrastando a pança...
Com a paz encetada!...
Aparecido Guergolette - Londrina, PR

14.12.06

O estranho lá em casa



Alguns anos após eu nascer, meu pai encontrou um estranho que havia chegado recentemente à nossa pequena cidade. Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com o encantamento do recém-chegado e logo o convidou para ir morar com a nossa família. O estranho foi imediatamente aceito por todos nós.
Enquanto eu crescia, nunca questionei seu verdadeiro lugar na minha família. Na minha jovem mente, ele tinha um lugar bem especial. Meus pais se complementavam na minha educação: mamãe me alertava contra a maledicência e meu pai me ensinava a obedecer. Mas o estranho... ele era o nosso contador de histórias, nos entretinha por horas a fio falando de aventuras, mistérios e comédias.
Se eu quisesse saber alguma coisa sobre política, história ou ciências, ele sempre sabia as respostas sobre o passado, compreendia o presente e parecia até mesmo capaz de predizer o futuro! Ele levou toda minha família a assistir os jogos da primeira divisão de futebol. Ele me fazia rir e me fazia chorar. O convidado jamais parava de falar, mas papai parecia nem ligar.
Às vezes, mamãe se levantava silenciosamente e, enquanto o resto de nós ficava fazendo “psiu” um ao outro para impor silêncio e tentarmos ouvir o que o convidado tinha a dizer, ela se retirava para a cozinha em busca de paz e silêncio. (E eu me pergunto agora se ela não estaria torcendo para que ele fosse embora).
Papai orientou nossa família com fortes convicções morais, mas o nosso convidado jamais se sentiu obrigado a cumpri-las. Palavrões, por exemplo, não eram permitidos em casa. Não para nós ou para nossos amigos e visitas. Nosso eterno convidado, entretanto, nos surpreendia falando aquela certa palavra de quatro letras que queimava minhas orelhas e fazia meu pai ficar furioso e minha mãe corada.
Meu pai não permitia o uso de bebidas alcoólicas. Mas o nosso convidado nos encorajava a experimentá-las regularmente. Ele também fazia os cigarros parecerem “uma nice”, os charutos eram “coisa de macho” e os cachimbos davam o status de gente distinta. Ele conversava livremente sobre sexo (livremente demais). Seus comentários eram bastante explícitos, sugestivos e geralmente embaraçosos.
Eu sei agora que meus primeiros conceitos sobre relacionamentos foram fortemente influenciados pelo nosso convidado. Dia após dia, ele se opunha aos valores dos meus pais, já que era raramente contestado... e jamais lhe foi pedido para ir embora.
Mais de cinqüenta anos se passaram desde que o estranho mudou-se para nossa casa, vivendo com a nossa família. Ele se adaptou muito bem e continua sendo tão fascinante hoje como era no princípio. Pois se você vier até a sala de visitas dos meus pais, você o avistará parado no seu canto, aguardando por alguém que esteja disposto a ouvi-lo falar e a olhar para seus desenhos e imagens.
Seu nome?
Nós simplesmente o chamamos de aparelho de TV.
E recentemente apareceu seu irmão mais novo: chama-se Computador.


Autor desconhecido.
Tradução e adaptação de Julio E. Bahr



12.12.06

A criação publicitária nos tempos da prancheta. Parte III



Estéreo de chumbo. Estereoplástico.
O que é isso?


No começo da década de 1960, havia quatro principais clicherias em São Paulo que atendiam às agências de propaganda: Lastri, Brasil, Planalto e Fortuna.

Todas se intitulavam “Clicheria e Estereotipia”. Não demorou muito para que eu descobrisse o que significava estereotipia.

Nas agências, havia uma espécie de afinidade entre os contatos (hoje chamado de pessoal de atendimento) e os boys. Dizia-se que ambos tinham os braços direitos mais compridos que os esquerdos. Os contatos, por carregarem, nas visitas aos clientes, aqueles layouts montados em pranchas enormes, sempre de forma a causar a melhor impressão e um forte impacto visual. Os layoutmen não economizavam papel, cartão e tudo o mais que servisse para valorizar a apresentação do trabalho. Restava aos contatos achar a melhor forma de transportar os trabalhos – e ai de quem tivesse braços curtos...

Já os boys passavam por outro sofrimento: os estéreos eram nada mais, nada menos, do que grossas cópias em chumbo, fundidas a partir de clichês. Quando os anúncios eram publicados simultaneamente em mais de um jornal, lá se iam os boys carregando os estéreos de chumbo para o Estadão, Folha, Gazeta, Última Hora, Diário da Manhã, etc. Isso quando não eram campanhas de âmbito nacional, endereçadas também ao Globo e Jornal do Brasil no Rio, ao Estado de Minas, e a outros estados.

Para diminuir o peso, os estéreos passavam, após a fundição, por um processo de “escavação”, quando era retirado o chumbo das partes que correspondiam ao fundo branco do anúncio. Quanto mais fundo branco, mais escavações e furos – e mais leve os estéreos se tornavam. Quanto mais ilustrações e textos, tanto mais pesados. Dá para imaginar o peso quando os anúncios eram de página inteira...

Um dia, algum gênio, certamente condoído pelos superesforços despendidos pelos boys, criou o chamado estereoplástico – os mesmos estéreos agora fundidos em resistente material plástico. O peso reduziu-se a menos de um décimo. Os boys passaram a rir à-toa pelos cantos das agências.

Algum tempo depois, as clicherias se modernizaram e iniciaram, elas mesmas, um sistema de entrega dos materiais aos jornais. Assim que a prova fosse aprovada na agência, os estéreoplásticos eram fundidos e encaminhados diretamente aos jornais, sempre dentro dos horários.

Os mesmos boys que andavam assobiando pelas ruas, começaram a ser demitidos.

Nos anos 1960, estava sendo lançada a semente do “atendimento global” – uma expressão que só veio ser cunhada muitos anos depois.

Qualidade de atendimento e novas tecnologias surgindo. As clicherias sempre se atualizando.

O que já é assunto para outro capítulo.
Julio Ernesto Bahr

11.12.06

Os escribas



Crônicas de um saber insólito

Mississipi

Benjamin sabia que eles viriam. Entraram a galope no vilarejo dos negros atirando, olhos brilhando de ódio nos capuzes pontudos. Eram nove da noite.
Correu para dentro e disse ao neto, Josué, corra como o vento, menino, procure o delegado federal na cidade e conte pra ele o que está acontecendo, não pare por nada, vá!
Para que não vissem o garoto escapando pelos fundos, voltou à varanda onde um agressor, empinando o cavalo, lhe deu um tiro certeiro, morre, negro sujo! O velho caiu e seu sangue se misturou com as poças das chuvas finas e frias que anunciavam o começo do outono. A visão se turvou mas, por alguns minutos, ainda ouviu claramente o som das porretadas surdas, os gritos, os tiros, o tropél dos cascos, os palavrões dos brancos. Antes de apagar sentiu o cheiro de fumaça nas narinas, claro que eles haviam tocado fogo em tudo, como era seu bárbaro costume.
Abriu os olhos cansados quando entrava numa espécie de taberna enevoada iluminada por uma luz tênue. Havia quatro homens caminhando ao seu lado, negros, soube de alguma forma que eram o Lou, o Bird e o Ray. O quarto era branco, Frank . De uma grande porta ao fundo, o Mart, adivinhando sua ansiedade, o tranqüilizou, Joshua já está com o delegado na capital.
Ben desabou numa cadeira, aliviado. Um coro de vozes femininas se fez ouvir. Um HALELUIA poderoso começou a saudar sua chegada, aqueles acordes arrepiantes e plenos de beleza capazes de emocionar os céus e a terra. Mariah, de novo jovenzinha, veio recebê-lo sorridente. Deram-se as mãos. Ali já não havia beijos. Nem era necessário.

José Sudaia Filho
Taboão da Serra, SP

Registro de frases bem sacadas (3)

"Todo mundo tem cliente. Só traficante e
analista de sistemas é que tem usuário"
(Bill Gates)

8.12.06

Oba! É hora do comercial (2)

Julio Ernesto Bahr

Há alguns dias inseri no blog um texto sobre os comerciais que saíram dos intervalos comerciais das emissoras e se tornaram os próprios programas de tevê.


Quem estudou a matéria mídia nas faculdades no século passado (parece que foi ontem), precisou reciclar-se rapidamente. A publicidade nunca sofreu tantas inovações tecnológicas, nos veículos e nas formas de comunicação, como neste começo de século.

Hoje, tornou-se comum os amigos trocarem e-mails entre si, anexando filmes de comerciais de tevê que lhes despertaram a atenção. Eu mesmo tenho “n” megabites de comerciais arquivados no meu computador. Recebi, gostei, compartilhei e guardei para nova apreciação.

O site YouTube foi outra destas gratas novidades: milhares de comerciais de tevê, misturados com filmes e reportagens diversas, produzidas por profissionais e amadores, possibilita ao internauta tomar contato com o que de melhor (e também de pior) se faz no mundo da comunicação. Já são muitos os blogs e sites que inserem estes filmes em suas páginas, linkados diretamente ao YouTube.

A internet é uma caixinha de grandes surpresas. As empresas e agências de propaganda que souberem utilizar rapidamente seus recursos e suas constantes inovações estarão sempre à frente dos concorrentes. Pois as novas mídias da internet não podem ser desprezadas.

E quem chega antes sempre leva vantagem.


7.12.06

Os escribas

Esta bela poesia foi-me enviada pelo meu amigo João de Valentin, de São Paulo, SP. Foi escrita em um momento muito especial, enquanto aguardava uma nossa amiga comum passar por delicados exames médicos. Poesia de tal sensibilidade que ninguém conseguiria imaginar ter sido escrita por um engenheiro, de atividade que julgamos ser sempre mais associada às ciências exatas do que às letras.


A esperança da espera

Quantas esperas com esperança,
Quantos sentimentos na espera,
Quantas esperanças sentidas.

Os sentimentos afloram na espera,
A esperança cresce enquanto se espera.
Quantas mudanças mudam na espera.

As mudanças se encaixam,
Os encaixes nos dão mais esperança.

A esperança cresce
A esperança nos faz crescer.

A espera nutre
A espera nos faz ver.

Vejo e sinto um passado,
Vejo e sinto o que passou.

Sinto um presente,
Um presente que espero
Que a esperança se torne sempre presente
E, que a espera não mais se ausente.


João de Valentin
20 de outubro de 2006

6.12.06

O adgência dos trrês letrrinhas



Entrei na sala do presidente da empresa (ou melhor, de três empresas). Era um homem próximo dos setenta anos, suíço e que falava o português com sotaque bem carregado.

- Quem é a senhorr? – perguntou-me

Expliquei que tinha uma agência de propaganda e estava me apresentando para a reunião solicitada pelo seu diretor.

- Como chama seu adgência? –perguntou-me

Declinei o nome.

Ele olhou para mim: - No verrdade, eu querria mesmo aquele adgência dos trrês letrrinhas, PZD, ZDB, como se chama mesmo? (Que azar!)

- Chama-se DPZ. – respondi - Nesse caso, posso ir embora.

- Não, a senhorr fica. Vamos verr como serrá sua trrabalho!

O homem me passou o briefing para criarmos o primeiro anúncio - e urgente. E prometeu que se desse certo, me encaminharia para as suas outras duas empresas. Poderia se tornar uma excelente conta. (Que sorte!)

Criamos um anúncio muito bonito, que deveria ser publicado em uma edição especial para a indústria automobilística, da extinta Revista Manchete. O cliente gostou, aprovou e encaminhamos o rotofilme dentro do prazo para a revista. O escritório de São Paulo ficava na “Casa da Manchete”, um casarão histórico nos Jardins.

No dia em que a edição foi para as bancas, nada do anúncio publicado! Descobrimos que exatamente na sexta-feira em que enviamos o material, a Manchete estava de mudança para o centro da cidade (as coisas já não iam bem para o Sr. Bloch) e o rotofilme restou esquecido em uma das gavetas na bela mansão. Mudaram-se e o rotofilme nem chegou a ir para a gráfica no Rio. (Que azar!)

O suiço me ligou vociferando em todos os idiomas e ameaçou abrir um processo contra a nossa agência. Coloquei a Manchete no circuito, deixei que eles se entendessem com o homem e nunca mais pude pôr os pés naquela empresa. Para eles, virei persona non grata.

Antes a vítima tivesse sido o adgência dos trrês letrrrinhas.


O ato de escrever (5)

"Escrever é uma maneira de falar
sem sermos interrompidos."
Luis Felipe Angell (Sofocleto)
Escritor/Poeta espanhol

5.12.06

Do doutorado à sabedoria popular

Autor anônimo

DOUTORADO:
O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da ramínea Saccharus officinarum Linneu, 1758, isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e arestas retilíneas, configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura, uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico, impressiona favoravelmente as papilas gustativas, sugerindo impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto, que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade, produzindo nos órgãos especiais existentes na Apis mellifera, Linneu, 1758. No entanto, é possível comprovar experimentalmente que esse dissacarídeo, no estado físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica, apresenta considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo emconseqüência da pequena capacidade de deformação que lhe é peculiar.


MESTRADO:
A sacarose extraída da cana de açúcar, que ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino, apresentando-se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular, impressiona agradavelmente o paladar, lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelasabelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo. Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas.

GRADUAÇÃO:
O açúcar, quando ainda não submetido à refinação e, apresentando-se em blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal, tem sabor deleitável da secreção alimentar das abelhas; todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão.

ENSINO MÉDIO:
Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos, tem o sabor agradável do mel, porém não muda de forma quando pressionado.

ENSINO FUNDAMENTAL:
Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas não é macio ou flexível.

SABEDORIA POPULAR:
Rapadura é doce, mas não é mole, não!!!



Assim é um presídio na Áustria

Será que um dia nossos presos terão à sua disposição no Brasil um presídio como esse, que está em pleno funcionamento na Áustria?
Com uma prisão dessas, provavelmente eles nem fariam questão de usar celulares. E também não pensariam em fugir.


4.12.06

Que cidade é esta?

Esta “cidade” foi idealizada há alguns anos por nossa agência para a empresa Ethos Ltda., visando divulgar através de um folder os seus serviços de corte, dobragem e furação em máquinas a laser.
Houve uma trabalhosa seleção dentre as peças produzidas pela empresa e uma demorada montagem, para obter o melhor resultado visual e fazer com que todas as peças ficassem perfeitamente alinhadas na vertical.
O toque final foi a aplicação do logotipo da empresa, parecendo um outdoor sobre um dos “prédios”.
Layout e Criação: Julio E. Bahr
Fotografia: Mikio Okamoto, São Paulo, SP

Registro de frases bem sacadas (2)

"Seja legal com seus filhos.
São eles que vão escolher seu asilo"
(Itamar Franco)

30.11.06

Sopa de letrinhas... intragável


Julio Ernesto Bahr

Separe um punhado de Cheltenham Light.

Acrescente meia pitada de Kabel Medium.

Misture com uma boa porção de Comic Sans MS.

Polvilhe com American Typewriter Italic.

Coloque ainda algumas gotas de Trebuchet MS Bold. Se preferir, inclua ligeiras amostras de Times New Roman, Bodoni MT Black e Copperplate Gothic Light.

Deixe de molho por uma boa meia-hora.

Voilà! A sua mistura criativa mais-do-que-imperfeita está prontinha para ser... execrada.

Alguns produtores gráficos adoram usar uma mistura inacreditável de fontes e tamanhos de tipos – simplesmente porque lá estão eles, tão facilmente disponíveis em seus computadores...

Essa falta de conhecimentos sobre a arte da tipologia deixaria o velho Prof. Antônio Sodré Cardoso de cabelos em pé. Um grande número de publicitários formados nas décadas de 1950, 1960 e 1970 teve aulas com o Prof. Antônio Sodré Cardoso, ou, pelo menos ouviu falar dele.

Este homem foi um dos maiores conhecedores das artes gráficas em São Paulo, transmitiu seus conhecimentos para produtores gráficos e diretores de arte da época e acabou recebendo uma honraria reservada a pouquíssimos mortais: tornou-se Professor Honoris Causa em artes gráficas, mesmo sem formação universitária e tendo adquirido seus conhecimentos apenas pela prática profissional.

Ele nos ensinou sobre a evolução da escrita, a história e o desenvolvimento das artes gráficas no Ocidente e no Oriente, a classificação dos tipos e, principalmente, sobre a aplicação das artes gráficas em trabalhos publicitários.

Hoje, vários trabalhos gráficos entre anúncios, folders, out-doors, embalagens e outras peças, levados ao público, resultam em tais aberrações na escolha e na mistura da tipologia, que vêem anulados todo o seu eventual impacto criativo.

Dentre os ensinamentos do Prof. Cardoso, ficaram retidos na minha memória alguns conceitos que procuro utilizar até hoje nas minhas criações gráficas:

- “Não misture duas famílias de categorias diferentes no mesmo texto, salvo raras exceções...”

- “Cada tipo de letra, com uma pequena dose de imaginação, pode externar a própria idéia do produto ou serviço”.

- “Cuidado com os textos aplicados sobre cores: não deixe uma eventual leveza estética prejudicar sua boa leitura”.

“Textos de corpo pequeno em negativo sobre preto ou sobre cores escuras, geralmente requerem tipos bold”.

- “A escolha das fontes e dos tipos adequados é tão importante quanto a própria criação da peça gráfica”.

Consumidores irados, que vêm sofrendo de indigestão crônica causada por sopas de letrinhas intragáveis, certamente agradecerão o uso de novas e atraentes receitas em trabalhos de artes gráficas.

(Este artigo já foi inserido nos sites www.midiograf.com.br e www.applondrina.com.br )

29.11.06

O ato de escrever (4)

"Existem três regras para escrever ficção.
Infelizmente ninguém sabe quais são elas."
(William Somerset Maugham)

28.11.06

Uma capa de livro sobre a Revolução de 1932


Julio Ernesto Bahr


O artigo que escrevi sobre litografia e a história do mapa da Revolução de 1932 me fizeram lembrar de outra historinha: como foi que o mesmo mapa salvou a minha pele.


Certa manhã de uma sexta-feira qualquer do ano de 1970, um cliente da minha agência ligou-me e pediu-me o favor de elaborar uma capa de livro para o seu pai, Benedicto Pires de Almeida, historiador da cidade de Tietê, SP.

O livro estava terminado. Era a história da Revolução de 1932 focando os acontecimentos na cidade de Tietê. Um documento histórico. Faltava a capa.

O problema era o prazo: eu deveria encaminhar a arte-final, prevista em duas cores, já na segunda-feira. Qualquer layout que eu criasse estaria antecipadamente aprovado. Em outras palavras: era mais uma daquelas sangrias desatadas que se exigem dos publicitários.

Pensei com meus botões: “Não conheço quase nada sobre a Revolução de 1932 e tampouco possuo quaisquer referências a respeito. Darei um pulinho na Biblioteca Municipal no sábado e lá resolvo o problema”.

Publicitário sofre: a biblioteca não abriu naquele fim de semana.

Salvou-me o mapa que eu possuía. Fotografei uma pequena área em preto/ branco, destacando a região de Tietê e o resto foi puro grafismo.

Na segunda-feira a arte-final foi entregue.

Recebi algum tempo depois um livro autografado do historiador, com a dedicatória: “Amigo Julio. Com a minha gratidão pela sua valiosa colaboração que muito veio valorizar este livro, oferece o Benedicto Pires de Almeida. São Paulo, 08/06/1970”.

Ufa!

27.11.06

O internetês e a vida real

BIJINS = BEIJINHOS
BLZ = Beleza
CD, KD = Cadê?
Craro! = Claro!
CTAÍ? = Você está aí?
Eu lovo u = Eu amo você
Kirida = Querida
MIGUIM = AMIGUINHO
NAUM = Não
Pru6 = Para vocês
RULEZ = Maneiro, legal;
SifU que já mifU = Vai que eu já fui
T+ = Até mais, tchau
Tôka módó... = Estou com muito dó...
Se você reparar bem, o internetês, a nova escrita usada pelas tribos da internet, já saiu do reduto delas (tribos) para surgir em legendas de filmes, chats de canais de tevê a cabo e começa a aparecer em cartas endereçadas a jornais e comentários em blogs. Mesmo que os jornais ou blogs abordados nem adotem tal idioma.

A maioria dos “escrivinhadores” de internetês é jovem, se diverte com isso e nos faz lembrar da velha “língua do pê”, um código primário que os adolescentes falavam entre si há algumas décadas.

O que preocupa são os dados da incultura lingüística brasileira. Sabemos que cada vez mais os estudantes aprendem menos. Os vestibulares nos dão provas incontestes da incompetência dos jovens em redigir textos, pois são incapazes de utilizar corretamente o vernáculo.

Ora, se os jovens não conseguem nem aprender a língua portuguesa, revelando-se um fracasso completo na hora de buscar um emprego, naufragando nas entrevistas e nas exposições escritas, o que dizer então dessas tribos que usam o internetês?

A vida real requer muito mais do que a língua do pê ou o internetês. O mercado profissional não se limita a exigir um português razoavelmente bem escrito e bem falado, mas também ótimos conhecimentos de no mínimo mais um idioma, como inglês, francês, alemão, japonês e agora até chinês e russo.

Acorde, jovem: para a vida real, o internetês não vale nem como primeiro, nem como segundo idioma.

26.11.06

Registro de frases bem sacadas

"Se o horário oficial é o de Brasília, por que
a gente tem que trabalhar na segunda e na sexta?"
(Dorival Caymi)

24.11.06

A criação publicitária nos tempos da prancheta. Parte II


Matrizes de pedras. Litografia. Você já ouviu falar?
No final da década de 1950, a Catalox(*), agência de propaganda em que eu trabalhava como assistente de arte em São Paulo, acertou alguns trabalhos gráficos com a empresa Weiss & Cia., uma gráfica muito, muito antiga, remanescente da década de 1920. Instalada na Rua Apeninos, na Aclimação, era dirigida por um imigrante austríaco, uma figura bastante imponente e autoritária.

Meu acesso à gráfica deu-se pelas mãos do seu neto, Raul C. Magen, até hoje um grande amigo meu. A Weiss & Cia. imprimia livros, embalagens e trabalhos comerciais.
Lembro-me de uma das suas antigas máquinas de impressão offset, talvez a maior e mais antiga que já tenha visto até hoje. Para acompanhar o serviço, o impressor subia por uma escada de ferro e caminhava em uma espécie de andaime, também de ferro, ambos montados na própria máquina. Quando lá subi, minha sensação era a de estar no tombadilho de um navio. Bem diferente dos modernos equipamentos de hoje.
E foi naquela gráfica que descobri um enorme salão, ladeado por fortes estantes de madeira, onde eram guardadas, bem ordenadas, pedras e mais pedras de impressão litográfica. A litografia, utilizada até os anos 1930, foi precursora dos clichês de zinco e utilizava pedras calcárias que recebiam a gravação invertida das imagens, um trabalho feito por especialistas. Os desenhos eram passados de um papel de seda, cor por cor, para cada pedra separadamente e a gravação feita à mão. As pedras eram as matrizes do processo de impressão. Trabalho de artistas.
Um dia, ganhei do meu amigo Raul um rolo de papel, já meio amarelado, que tinha sido encontrado no forro da gráfica. Era um belíssimo mapa da Revolução de 32, com o título “Esta he a carta verdadeira da revolução q:houve no Estado de São Paulo no ano de MCMXXXII”, assinado JWR (João Walsh Rodrigues, um dos maiores gravadores do Brasil e o primeiro ilustrador das histórias de Monteiro Lobato). Fora impresso em seis cores com as pedras do velho sistema litográfico e mostrava as posições das tropas paulistas e do Brasil no meio do conflito de 1932, cidade por cidade, em todo o Estado de São Paulo. O mapa, encomendado pelos constitucionalistas, tachados na época de separatistas era, portanto, clandestino. A história conta que, terminada a revolução, por causa de uma denúncia, soldados getulistas foram revistar a gráfica e confiscaram os mapas, obrigando também o antigo proprietário a quebrar as pedras na sua frente, ou seja, as matrizes da impressão original.

A Weiss & Cia. foi vendida em 1972 para a Gráfica Hamburgo. Presumo que apenas dois mapas, encontrados no forro da gráfica, ficaram preservados para a posteridade. Um deles foi doado oficialmente pela Gráfica Hamburgo à Biblioteca Municipal Mário de Andrade, em São Paulo – e o outro... está bonitinho, emoldurado, preservado, exposto na minha casa.
Nunca mais tive notícias do enorme acervo das máquinas de impressão, nem das pedras litográficas, peças de museu que hoje representariam um verdadeiro tesouro.

(*) Fiquei muito feliz ao descobrir neste ano de 2006 que a empresa Catalox , que deixou de operar em 1963, está citada em um site na França. Foi a oportunidade de reencontrar via internet um dos ex-sócios da agência, que para lá retornou em 1965: Tito Topin (www.titotopin.com ), meu amigo, hoje um consagrado escritor, roteirista e autor de seriados na TV francesa, entre elas “Navarro”, uma série policial que chegou próxima a 120 capítulos.

23.11.06

Pobres aposentados. Feliz casta dirigente!

1 - O Congresso aprovou o “super-aumento” de 5,01% para os aposentados que ganham mais de um salário mínimo, referente ao período 2005/2006. Para compensar as perdas, o valor que corrigiria as diferenças dos últimos anos e que serviu inclusive de plataforma política para alguns candidatos, foi calculado em mais de 16%. Deram apenas 5,01%. Por falar em candidatos, onde estão escondidos o tal Paulinho da Força e os outros demagogos que se utilizaram desta plataforma para ganhar votos?

2 - O próximo aumento do salário mínimo que o governo havia prometido passar dos atuais R$350,00 para R$420,00, só deverá mesmo ser reajustado para R$367,00. Segundo o “diretor financeiro” do Brasil, Guido Mantega, não há verbas para aumentos maiores.

É claro que não há verbas. Veja só para onde elas vão:

- No Judiciário, os conselheiros do CNJ e do CNMP (você conhece estes órgãos?) vão passar a receber jetons (os pagamentos por sessão) de R$2.784,00. São sempre duas sessões por mês. E mais: são ganhos retroativos a junho de 2005. Então seus salários que eram de R$23.275,00 passarão para R$28.861,00. E como eles têm os retroativos a receber, só neste mês embolsarão mais de R$100.000,00 cada um.

- A Câmara dos deputados apresentou uma proposta para aumentar seus próprios salários de R$12.847,00 para R$24,500,00 (mais de 90% de aumento). Além de outras novas mordomias.

- Os promotores e procuradores da justiça passaram seus proventos de R$22,1 mil para R$24,5 mil.

Sobrou outra vez para os pobres aposentados. Que estrebuchem em paz!

Acompanhe o PT novamente em ação


DEPUTADO FEDERAL ELEITO DO PT É PRESO EM BELO HORIZONTE
Juvenil Alves (PT-MG) é acusado pela PF de integrar organização criminosa especializada em crimes financeiros

Do Portal G1 da Globo, em São Paulo, 23/11/2006


O deputado eleito é advogado e tem 47 anos. Foi detido em sua casa, no bairro Belvedere, na região centro-sul de Belo Horizonte, e levado para a sede da PF na capital mineira. Em São Paulo, a polícia já havia realizado uma operação nos escritórios de advocacia do político, entre eles um imóvel na Avenida Pacaembu, na Zona Oeste da capital paulista. Uma outra pessoa, ainda não identificada, também foi presa.
Ele é acusado de fazer parte de uma organização criminosa especializada em crimes financeiros que, segundo a Receita Federal, pode ter causado um prejuízo superior a R$ 1 bilhão aos cofres públicos.
Alves nasceu em Abaeté, região central de Minas, e obteve 110.651 votos nas eleições de outubro. É a primeira vez que ele foi eleito para a Câmara dos Deputados.
De acordo com a PF,
os escritórios de advocacia de Juvenal Alves seriam supostamente responsáveis por trâmites burocráticos no exterior e no Brasil, além da constituição de empresas de fachada.

O ato de escrever (3)

"Escrever não é fácil ou difícil,
mas possível ou impossível."
(Camilo José Cela, Prêmio Nobel Literatura 1989)

22.11.06

Meu partido político


Julio Ernesto Bahr

Um amigo me perguntou outro dia qual é, afinal, o meu partido político já que, segundo ele, no blog estão inseridos textos conflitantes. Na matéria que escrevi sobre o Pasquim, falo mal da ditadura militar que tivemos de engolir goela abaixo por tantos e tantos anos. Na matéria sobre o “albanês” Aldo Rebelo, falo mal dele, coitado, e do pessoal e das teorias do PC do B. O Lula e seu PT, um partido que já foi modelo de organização, hoje são tão ruins que nem vale mais a pena comentar.

Por isso, meu amigo deduziu que eu seria um tipo, assim, como direi, mais do centro. Mas seria eu então do centro direita ou do centro esquerda?

Eu só poderia responder que sou do Partido do Bom Senso.

Pena que esse partido político não exista. Não existe, pela simples razão de que não existem políticos de bom senso. Não existem políticos de bom senso porque o sistema político não é nem um pouco sensato. Ou você chamaria de sensato um poder legislativo que deveria trabalhar para propor leis, mas cuja face mais visível é a briga (de foice) por cargos e pela distribuição de verbas – na verdade, incumbência do poder executivo - para prefeituras e órgãos municipais?

Ou que se envolveu a fundo (e bota fundo nisso) nos casos do mensalão, das sanguessugas, do dinheiro público sacado do Banco Rural, do tal dossiê etc.?

Já que o Legislativo pouco legisla e perde tempo tratando da distribuição das verbas, o Poder Executivo troca suas funções e vive soltando leis (as tais medidas provisórias), a torto e a direito. Quer dizer, o Executivo tenta legislar e o Legislativo tenta governar.

Mesmo sem entrar no mérito das zilhões de coisas erradas na política brasileira, fica fácil deduzir que enquanto não for implantada uma ampla reforma política, que inclua rígida fidelidade partidária, jamais poderá existir bom senso entre os políticos. O sistema atual é simplesmente conflitante com o bom senso.

Ninguém poderá chamar de sensatas as eleições de Clodovil, Maluf, Jader Barbalho, João Paulo Cunha, Genoíno, Belinatti (esse aí é o Maluf do norte do Paraná) e tantos outros “expoentes” do oportunismo ou da malandragem. Isso para não falar outra coisa.

Assim, nas épocas de eleições, só me resta tentar escolher um candidato que se aproxime mais das minhas convicções. Quando voto em algum candidato, espero que o escolhido seja o menos corrupto, o menos malandro e o menos antiético. Que não mude de partido no meio do mandato, que não nomeie dezenas de parentes e amigos usando o nosso dinheiro, que não exagere nos preenchimentos dos cargos de confiança. Que não mude suas convicções e que não traia suas promessas de campanha.

Meus candidatos nunca são eleitos.


21.11.06

Atividade profissional 5198. O conflito!


Julio Ernesto Bahr

Se por um lado o Ministério do Trabalho “oficializou” a atividade de prostitutas, como você pôde conferir abaixo, por outro lado parece que a polícia brasileira não pensa do mesmo modo. As notícias mostram que ela continua perseguindo e prendendo as “profissionais do sexo” e seus clientes.


Das duas, uma: ou o Ministério do Trabalho não informou a oficialização das atividades das prostitutas à polícia, ou a polícia nunca abriu o site do Ministério do Trabalho para saber que a prostituição foi oficializada.

Leia dois exemplos aleatórios, extraídos de jornais:

Jornal O Dia, Rio de Janeiro
Prostitutas e clientes são presos em bordel do Rio
Pelo menos 70 pessoas, entre prostitutas e clientes, foram presas em um bordel na rua Joaquim Silva, no centro do Rio de Janeiro. Todos foram surpreendidos pela Operação Padrão pela Legalidade realizada por policiais civis, que suspenderam a greve na tarde de ontem. O detidos foram levados para a 5ª DP...


Jornal do Brasil, Rio de Janeiro
Polícia detém 170 prostitutas
Operação foi feita só com PMs evangélicos .
Uma operação-surpresa envolvendo a Vara da Infância e da Juventude de São Gonçalo e policiais militares do 7º BPM (São Gonçalo) nos prostíbulos da cidade terminou com 240 pessoas detidas. A partir de investigações, a polícia identificou 13 pontos de prostituição. Segundo o comandante do 7º BPM, há denúncias de que policiais civis sejam proprietários de algumas das casas de prostituição. A polícia também recebeu informações da exploração de menores no mercado do sexo.
Para estourar os prostíbulos, foram chamados 50 policiais militares, que flagraram freqüentadores, funcionários, gerentes e garotas de programa nos pontos de prostituição. Três menores - duas moças e um rapaz - também foram encontrados nos prostíbulos. A polícia apreendeu preservativos (*) e tabelas de preços. Em uma das casas, as mulheres cobravam R$ 30 por 20 minutos de programa...

(*) A polícia certamente ignora que as camisinhas masculinas e femininas são uma das “ferramentas oficiais de trabalho” sugeridas pelo Ministério (vide o site).

Conclusões:
1 - Nunca confie nos tecnocratas do governo.
2- O Ministério do Trabalho não tem nada a ver com a polícia.
3 - A polícia não tem nada a ver com o Ministério do Trabalho.
4 - A polícia vai continuar prendendo prostitutas.
5 – Se você é “cliente”, caia fora antes que a polícia apareça.

19.11.06

Atividade profissional 5198

O governo colocou em link oficial a categoria profissional de como tornar-se prostituta.
Acredite se quiser, mas está no site oficial do Ministério do Trabalho.
Em sua página eletrônica é possível encontrar uma bem detalhada cartilha que ensina a quem quiser o ofício de prostituta. Dentre as muitas informações, constam técnicas de abordagem de clientes, as roupas adequadas que devem ser utilizadas, comportamento desejável na atividade, etc.
Atividade profissional 5198 - uma verdadeira zona do governo Lula.
Confira:
http://www.mtecbo.gov.br/busca/competencias.asp?codigo=5198

17.11.06

Oba! É hora do comercial!


Julio Ernesto Bahr

Quem diria? Em alguns canais de tevê fechada os comerciais ganharam espaço e, já faz algum tempo, acabaram se tomando os próprios programas, geralmente com meia hora de duração.

Assim, ao invés de ligar sua televisão para assistir a um determinado programa, você fica entretido com um desfile de comerciais produzidos em outros países.

E não falta criatividade (nem verbas para sua realização).

Da mesma forma como alguns programas, os comerciais nos mostram usos e costumes de outros países e nos familiarizam com suas expressões idiomáticas. As maiores diferenças em relação aos comerciais brasileiros são observadas nos comerciais que utilizam a sexualidade como tema. Em geral lá fora as pessoas são bem menos pudicas do que nós e vão muito mais fundo.

Mas também existem exceções: há comerciais tão sutis e refinados como um paquiderme circulando numa loja de cristais. O que para eles soa engraçado, para nós não passa de pura grosseria como, por exemplo, os temas de alguns comerciais de preservativos.

Ao assisti-los, nós podemos tirar várias conclusões. Talvez a mais importante seja o reconhecimento da qualidade dos nossos comerciais tupiniquins. Quando bem feitos e criativos, eles se enquadram entre os melhores do mundo. Por isso, são tão premiados.

Aquela velha piada do português que saía todo santo dia do seu restaurante para almoçar no concorrente em frente, de tão ruim que era a sua própria comida, foi substituída. É que alguns diretores de emissoras de tevê agora acham os programas dos outros - no caso, os comerciais - muito melhores do que os seus.

São os novos tempos.

16.11.06

15.11.06

Coisa de louco!

Que me desculpem todos os meus amigos psiquiatras e psicólogos,
mas eu não poderia deixar de incluir aqui esta citação:

O neurótico constrói um castelo no ar.
O psicótico mora nele.
O psiquiatra cobra aluguel.
Jerome Lawrence

14.11.06

Sobre os blogs

Os blogs são as tribunas da livre expressão
Julio Ernesto Bahr

Um militante do PC do B assumiu a presidência da República. Orgulhe-se! Orgulhe-se??????

Julio Ernesto Bahr

Aldo Rebelo, também chamado de “o albanês”, assumiu a presidência do Brasil por um dia. Ainda bem que foi só por um dia!
Segundo ele, a democracia em nosso país amadureceu.
Parece que quem não amadureceu foi ele.
Pois conheço muita gente que também pertenceu ao PC do B. Isso em épocas passadas, nos tempos da ditadura. Eram jovens, impetuosos, grande parte deles estudantes e ávidos por mudarem os rumos do Brasil.
Todos eles amadureceram, acordaram daqueles sonhos juvenis e se deram conta de que o regime pelo qual lutaram não servia aos propósitos da maioria.
Menos o Aldo Rebelo.
Só quem se faz de cego, surdo e mudo não quer aceitar os fatos: a União Soviética, o “modelo de qualidade” tão louvado pela turma do PC do B, soçobrou, não restou pedra sobre pedra. Lá não existe mais União e muito menos regime comunista.
Os países do ex-bloco hoje se espelham nos países ocidentais para tentar consertar os estragos deixados por gente como o Aldo Rebelo.
A Alemanha Ocidental gastou fortunas para integrar os pobres compatriotas orientais, tão pisoteados e massacrados pelo regime do Aldo Rebelo.
Também os “companheiros” cubanos do Aldo Rebelo não vêem a hora da retirada do Fidel, após tantas décadas de miséria, fome, mortes e perseguições. Querem corrigir logo os desmandos do regime defendido pelo nosso presidente por um dia.
O PC do B do Aldo Rebelo está tão em baixa que nem obteve o número mínimo de votos nesta eleição, para ao menos continuar como partido.
Ainda bem que o homem reconhece: a democracia brasileira mudou, pois até tolera uma figura como ele lá no Alvorada. Mas só por um dia!
O mundo todo mudou.
Agora está mais do que na hora do Aldo Rebelo mudar também. Para bem longe, se possível! Para a Bolívia ou Venezuela, por exemplo, dois “padrões de excelência” da América Latina.

13.11.06

A criação publicitária nos tempos da prancheta. Parte I

Julio Ernesto Bahr


Introdução


Comecei a trabalhar em propaganda no ano de 1957, o que representa meio século de atividades exclusivamente nessa área. Muitos até podem-me chamar de dinossauro, de pré-histórico, de Flinstone ou outra expressão parecida.

Só posso sentir orgulho.

Nestes cinqüenta anos trilhei um longo caminho para realizar meu sonho profissional: alcancei cargos de ponta em várias agências, empresas e instituições e fui titular durante 41 anos da minha própria agência em São Paulo, a Julio E. Bahr Propaganda, que se manteve atuante mesmo durante os altos e baixos da economia brasileira. Mais baixos do que altos, convenhamos.

Conheci muita gente interessante e, principalmente, inteligente.

Modestamente, meu trabalho ajudou a alavancar empresas, marcas, produtos e negócios. Na história da minha agência incluem-se mais de 120 empresas atendidas, grande parte delas por vinte, trinta e até mais anos, continuamente. Empresas de pequeno e grande porte. Nacionais e multinacionais.

Foi por meio da propaganda que travei grandes amizades. E foram muitos os amigos que me incentivaram a escrever estas lembranças ligadas à atividade publicitária, para que não caiam no esquecimento das próximas gerações.

Lembranças que começam com

Rameta, prova de escova, Minerva e outras raridades

O velho tipógrafo ajeitou a pala sem boné, empurrou a última caixa tipográfica de volta no cavalete, guardou o componedor e amarrou a rameta com o barbante.

Era mais uma página de composição de textos pronta, uma mistura de linhas fundidas em linotipo e tipos da caixa.

Com a prática de tantos e tantos anos na profissão, preparou-se para bater a primeira prova.

Com um rolo de mão, o tipógrafo passou cuidadosamente tinta preta sobre a composição na rameta, colocou sobre ela uma folha de papel jornal e golpeou-a com uma escova. As primeiras “provas de escova” estavam prontas para serem enviadas à agência de propaganda, onde seriam revisadas.

Para imprimir posteriormente as composições definitivas, o trabalho era ainda maior: o impressor montava a rameta no quadro de rama, preenchia os espaços vazios com material branco (lingotes de chumbo dos mais variados tamanhos), apertava os cunhos com a chave e colocava a rama na máquina de impressão Minerva . Um calço aqui, outro acolá e assim eram impressas algumas folhas no chamado papel glacê.

Na agência, o paste-up man passava talco no glacê para evitar que as composições borrassem e com um estilete cortava os vários blocos de texto para colá-los na arte-final, um desenho traçado com tira-linhas, seguindo fielmente a configuração do layout.

Anúncio da época. Veja os detalhes da composição tipográfica

Não, esse relato não pertence à era pré-histórica. Era exatamente esse o processo, lá pelos anos 1960, usado pelas componedoras de textos que supriam as agências de propaganda, antes do advento das fotoletras, fotocomposições e da computação gráfica. Primitivo aos olhos de hoje? Talvez. Mas extremamente envolvente e romântico para aqueles que participaram daqueles tempos pré-computadorizados. E com um delicioso cheiro de tinta de impressão.

Quem se interessar, talvez encontre ainda em algum sebo um velho "Dicionário de Artes Gráficas" escrito por Frederico Porta, com mais de 400 páginas, editado pela Editora Globo na década de 1950. Lá você vai encontrar termos provavelmente jamais ouvidos, como biseladora, brunidor, calcossiderografia, chifra, corônis, duerno, faiar, fólio verso, helioplastia, isografia, lotinotipia, martelo justificador, monotipopolicromia, ocogravura, papirotipo, policopista, resvaladouro, rolo filigranador, rowotype, someiros, timpanilho, vinheteiro, além de breve biografia de João Gutemberg, nascido por volta de 1400, considerado o pai da tipografia “moderna”.

Pois naqueles tempos, para se trabalhar em criação publicitária, todos nós, layoutmen, produtores gráficos, paste-up men, fotógrafos e até o pessoal do tráfego, éramos obrigados a conhecer ao menos os fundamentos das artes gráficas - assim como hoje precisamos conhecer, no mínimo, os princípios da computação gráfica. Se você trabalha com criação publicitária e utiliza programas gráficos no seu computador, não deixe de conhecer a fantástica e fascinante história das artes gráficas.

11.11.06

O ato de escrever (II)

"É preciso escrever o mais possível como se fala
e não falar demais como se escreve."
(Charles Augustin Sainte-Beuve)

9.11.06

Quando é que o Brasil vai virar um país sério?


Julio Ernesto Bahr

1 - Aprendi que nosso país não é nem um pouquinho sério quando sofri minha primeira decepção, menino ainda, lá pelos anos 1950. Naquela época, para expandir o setor elétrico, o governo cobrava compulsoriamente um percentual sobre o valor da conta mensal, em seguida trocado por cupons que traziam estampados seus valores nominais, correspondentes ao empréstimo.
Pois bem, um dia meu pai me presenteou com os tais cupons, cuja soma nominal daria para comprar, por exemplo, uma bola de futebol. Qual o quê! Saí desiludido do posto de troca, com uns caraminguás no bolso, pouco mais do que o valor das passagens de ida e volta do ônibus. Alegação: os cupons correspondiam a ações que não haviam se valorizado!

2 - Anos mais tarde, empresas de capitalização e montepios buscavam avidamente clientes, prometendo mundos e fundos: retorno garantido, futura aposentadoria em valores iguais aos ganhos salariais, etc., etc.
Nas décadas seguintes quase todas aquelas empresas quebraram, varridas de roldão junto com as “casas bancárias” (agiotas oficializados), estas fechadas pelo governo, e outras instituições financeiras. As poucas que sobreviveram, jamais puderam cumprir suas promessas. As propaladas aposentadorias tranqüilas se transformaram em míseros centavos. Alegação: a louca inflação brasileira não havia sido prevista nos contratos e assim não caberia correção sobre os valores originalmente aplicados.

3 - Quando meus filhos eram pequenos, era comum os bancos nos presentearem com cofrinhos, para ensinarmos as crianças a pouparem. Quantos cofrinhos recheados de moedas nós abrimos juntos em casa, apenas para constatar que a inflação havia corroído o seu valor e que muitas daquelas moedas até já haviam saído de circulação, pois o dinheiro brasileiro mudara de nomenclatura mais rapidamente do que conseguíamos encher os cofrinhos!?

4 - Nos anos 1970 enfrentamos a chamada “Crise do Petróleo”. O governo obrigou-nos, proprietários de veículos, a pagar um imposto compulsório sobre cada litro de combustível comprado. Prometeram-nos a devolução de todo o imposto no futuro, com correção monetária e juros. Mudaram os governantes e as promessas obviamente não se cumpriram. Eu mesmo acabei jogando fora vários envelopes recheados de notas fiscais de combustível, já amareladas pelo tempo, que ingenuamente guardara para requerer uma futura restituição.

5 - Quando há alguns anos, por sugestão do então Ministro da Saúde Dr. Adib Jatene, se criou a CPMF, que deveria resolver os problemas da saúde no Brasil, o nome do imposto era Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras. O dinheiro foi rapidamente desviado para outras finalidades. O Dr. Jatene saiu magoado do governo e a mesma CPMF trocou o nome de Provisória para Permanente. E continua aí ouriçando novamente muitos políticos, alguns deles sugerindo seu aumento.

6 - Um dos nossos governantes demagogos decidiu, em certa época, acabar com as cobranças de pedágio nas rodovias. Para substituir aquele imposto, criou-se o chamado IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores). Tempos depois, alguma mente iluminada redescobriu a América e nos impôs novamente o pagamento de pedágio. Apenas esqueceu-se de retirar o outro imposto, o IPVA. Hoje, para circularmos com nossos veículos, todos nós pagamos ambos os impostos e a maioria da população nem sabe ou esqueceu-se de que estes se constituem, na verdade, em bi-tributação.

7 - Neste ano de 2006, fui forçado pela Sul América Seguros a re-pactuar um Seguro de Vida, que já pagava havia 28 anos. Ameaçado de perder o seguro, aceitei os novos termos, que reduziram – e muito - todos os valores anteriormente contratados. E mais: o prêmio mensal que era anualmente corrigido pelos índices da inflação passará a aumentar de valor de acordo com a faixa etária. Quanto mais velho o segurado, mais caro o prêmio.

8 - E por último, percebo com tristeza que as leis brasileiras foram mesmo criadas para não serem respeitadas. A mesma empresa Sul América, desta vez no segmento seguro-saúde, da qual sou segurado há 16 anos, me envia o carnê de cobrança mensal com um aumento de 75%, por mudança de faixa etária. Os dois últimos casos acima trombam de frente com a Lei 10.741, de 01/10/2004, que proíbe aumentos nos planos de saúde para quem tem mais de 60 anos de idade. Mas tudo indica que a poderosa Sul América, amparada pela tal agência reguladora ANS, protetora declarada das operadoras de saúde, se coloca acima da lei! Mais um caso para o Ministério Público resolver.

Por isso, fica a pergunta: quantas gerações ainda passarão por aqui até que nosso Brasil finalmente se transforme em um país sério e confiável?

Com vocês, Stan Laurel & Oliver Hardy


Ou, simplesmente, a dupla eterna, Gordo e Magro, trazendo de volta a nossa infância perdida.

8.11.06

Os escribas

Crônica escrita pelo meu amigo publicitário, cronista, web-designer e ilustrador
José Sudaia, de Taboão da Serra, SP – que também elaborou a ilustração.
Crônicas de um saber insólito

MacArthur era um rapaz latino-americano militante de esquerda. Havia mandado a namorada embora para não colocá-la em risco de morte, corriam anos de ditadura e repressão. Foi o que alegara, para se consolar das lágrimas delas.
Um ano depois, clandestino e procurado pela polícia política, trocara de nome e de barba e enfiara-se num cortiço de um anarquista italiano que tinha uma confecção nos alagadiços da Cantareira.
Bateu uma saudade dolorida e ele foi procurar Lirinha no café onde era garçonete. Não estava mais lá e ninguém sabia dela. Perguntou no bairro todo, comprometendo a sua própria segurança. Nada. Ainda não havia internet.
Estava lendo os clássicos para matar o tempo. Naquele crepúsculo morno de final de verão, março a dentro, adormeceu na poltrona de couro, sua única mobília, lendo Borges. Despertou sobressaltado com um estalido repentino.
O Fazedor caíra no chão, capa pra cima sem perder a página que acabara de quase ler. No vazio de sua vista ainda chocada, a imagem da ex, o cheiro de perfume espanhol de seus cabelos, a presença maciça de suas coxas grossas, a tatuagem da estrela com a tulipa que só era possível ver quando desabotoava o sutien para transbordar os seios fartos. No silêncio do quartinho, a voz que parecia vir de milênios atrás Você nunca terá uma namorada como eu!
José Sudaia Filho

Tela de Proteção e/ou Distração

Dizem que esta é a proteção de tela mais famosa nos Estados Unidos.
Você pode instalá-la no seu computador ou simplesmente abrir o link e se distrair.
http://www.planetdan.net/pics/misc/georgie.htm
Se "o homem" ficar entalado, clique nele e arraste-o com o mouse..... gire-o, pendure-o pela perna ou pelo braço, bata com a cabeça dele nas esferas, etc...
(Dica enviada pelo meu amigo Thomas Lewin, São Paulo, SP)

7.11.06

Lembrando o Pasquim



Por Julio Ernesto Bahr

Há algum tempo tive o prazer de assistir a um programa da TV Câmara, muito bem produzido, contando a história do Pasquim, um inesquecível e mais do que irreverente jornal, corajosamente publicado nos duros tempos da ditadura, por uma equipe da qual faziam parte Jaguar, Ziraldo, Millôr Fernandes, Sérgio Cabral, Miguel Paiva, Henfil e outros nomes peso-pesados da época.
O pessoal do Pasquim foi extremamente corajoso, pois desafiava a intolerância dos militares e as tesouras dos geralmente obtusos censores, com um humor aguçado e muito debochado. Houve um período em que grande parte da equipe foi presa, mas mesmo assim o Pasquim continuou a ser editado com a ajuda de colaboradores.
O Pasquim só acabou quando a extrema direita destruiu algumas bancas de jornal com bombas detonadas pelas madrugadas. Os jornaleiros ficaram com medo e cessaram a distribuição.
O programa da TV Câmara trouxe algumas entrevistas e dentre elas a do publicitário Washington Olivetto, que expôs uma interessante análise sobre as mudanças que o Pasquim teria provocado na linguagem da propaganda. Segundo Olivetto, os comerciais do “garoto Bom Bril” por ele criados naquela época, foram os primeiros a trazer um “estilo coloquial” para a propaganda brasileira, conseqüência dos textos descontraídos e inovadores do Pasquim.
Nos anos 1970, minha agência de propaganda atendia a empresa Sifco, forjaria que chegou a se situar no ranking das 100 maiores empresas brasileiras.
Com textos criados pelo premiado publicitário Sergio Graciotti, preparamos uma série de anúncios sobre os novos equipamentos que a empresa importara.
Um dos anúncios trazia o título “A Sifco vai levar uma prensa”.

O Pasquim não perdoou: reproduziu o anúncio e sob a imagem inseriu a seguinte legenda, curta e grossa: “Quer dizer que a Sifco sifu?”
A publicação gerou enorme alvoroço na diretoria da empresa, pois como é que explicariam tal deboche para os militares, aos quais estava atrelada por contratos de fornecimento? A histeria obviamente também respingou na nossa agência, mas felizmente o tempo se encarregou de enterrar o assunto.
Hoje resta a lembrança da irreverência da turma do Pasquim, que proporcionou à geração daquela época leituras pra lá de divertidas e uma excitante sensação de cumplicidade contra a tão odiosa ditadura militar.

5.11.06

“Encontro na barca”, uma releitura póética


Recebo como homenagem do meu amigo londrinense,
o professor e poeta Aparecido Guergolette, de Londrina, PR,
esta bela poesia inspirada no meu conto “Encontro na barca”, publicado no livro com o mesmo título.





O amor vence.

Barco histórico
Desliza sereno
Rumo ao cósmico:
O beijo-veneno...

No porão escondido:
Olhar especial,
Abraço gemido
Do recém-casal.

O que está havendo(?)
Medita o amigo...
Na água-lendo:
A viagem prossigo.

Olhos pro céu
E a explicação...:
Na cabeça o véu,
Ou efêmera paixão?

"Encontro na barca"
Em Rio-Niterói,
O conto - a marca,
Nem o passado corrói.

Aparecido Guergolette, 06-01-06, escrito em Camboriú - em férias com a família.

4.11.06

O livro “Encontro na barca e outras histórias de bahr”


Muita gente tem me perguntado onde encontrar o livro.
Você pode adquiri-lo via internet através dos sites:
http://www.livrariascuritiba.com.br/
http://www.vencer.com.br/
Em Londrina, o livro está à venda na Livrarias Porto, no Shopping Catuai

Reproduzo trechos da crítica generosa de Paulo Briguet, jornalista e editor do Caderno de Cultura do Jornal de Londrina, PR:”Bahr é um escritor com a marca do bom publicitário... avesso a adjetivos e inimigo das frases desnecessárias – daquelas que estão ali ‘só para fazer efeito’, como dizia Simenon – Bahr procura ir direto ao ponto, contando histórias bem-humoradas e espirituosas... Bahr transita por vários gêneros: do conto de amor, ao policial; do perfil à crônica; do erotismo à crítica de costumes...”

E viva os futurólogos


No ano de 1954, a revista Mecânica Popular nos Estados Unidos publicava esta foto e a seguinte notícia: ”Cientistas da Rand Co. criaram este modelo para ilustrar como um computador doméstico poderia ser imaginado 50 anos adiante, em 2004, incorporando até interface para teletipo”.
Ainda segundo a notícia, o computador "seria muito fácil de usar".

3.11.06

Bebedeira?


Não, não é você que está bêbado.
Também não é efeito photoshop.
Parece que quem tomou umas e outras Carlsberg Bier foi o arquiteto que projetou este bar, que existe de verdade.
Haja imaginação!
Saúúúúúde!!!!!!

2.11.06

O ato de escrever (1)

"Somos todos escritores. Só que uns escrevem, outros não." (José Saramago)

Embalagens e a “Melhor Idade”


Será que os colegas publicitários pensam nas pessoas da Terceira Idade quando elaboram rótulos e embalagens? Terceira Idade, aliás, que algumas almas generosas preferem designar como a da “Melhor Idade”.
Melhor idade para o quê? Para ler, certamente que não!
Pois é geralmente na “Segunda Idade” que os óculos para leitura começam a fazer parte do nosso “uniforme” obrigatório. Daí para diante, a visão só tende a piorar.
Na Terceira Idade a seleção dos alimentos permitidos pelos médicos se torna cada vez mais restrita. Controles da glicose e do colesterol impõem novas regras. Isso quando os triglicerídios e o ácido úrico ainda não chegaram a níveis críticos.
Aliás, sua uréia e creatinina, como estão?
Açúcar, não pode. Alto índice de calorias, não pode. Gordura vegetal, não pode. Sal é perigoso. Gordura animal é veneno. Cuidado com alimentos que contenham ovos.
Você aí, que é jovem, não tem restrições alimentares e possui a visão aguçada da águia, já parou alguma vez em um supermercado para examinar as embalagens dos produtos? Consegue ler tudo o que está escrito?
Parece que boa parte das embalagens foi feita para dificultar nossa leitura e a identificação do conteúdo.
Simples torradas, por exemplo. Só mesmo usando uma potente lupa para descobrir que aqueles fios pretos na parte posterior da embalagem, que você julgava serem apenas um grafismo criado pelo diretor de arte, na verdade são linhas de texto descritivas dos ingredientes. Provavelmente em corpo 2 ou 3, para caber em português e espanhol. E quando você consegue o supremo milagre de ler o que está escrito, mata a charada: nenhum fabricante de alimentos faz questão de alardear que, junto com a torrada, estamos ingerindo emulsificante diacetil tartarato de mono e diglicerídios, alfa amilase e estabilizante. O que quer que isto signifique.
Deixei de comprar uma geléia aparentemente saborosa, cujo rótulo, impresso com as cores fora de registro, continha letras douradas sobre um fundo lilás... em corpo 3. Ou seja, o rótulo foi mesmo planejado para não ser lido.
Muitos produtos embalados em vidros apresentam informações na lateral da tampinha metálica. Como geralmente são textos longos, eles mais parecem cocô de mosca atuando como mero adorno gráfico.
De tudo isso, podemos tirar algumas conclusões:
1 – Alguns fabricantes de produtos alimentícios não fazem questão que os consumidores leiam o que está escrito nas embalagens.
2 – Pessoas da Terceira Idade nunca devem fazer compras sozinhas em supermercados
3 – Os publicitários acreditam que jamais ficarão idosos – ou que sua visão será eternamente perfeita
4 – A legislação obriga os fabricantes a imprimir rótulos e embalagens legíveis. Mas, falta maior fiscalização, além de denúncias, por parte do consumidor lesado.
Em países ditos do Primeiro Mundo, a população é muito mais exigente, luta ostensivamente pelos seus direitos e freqüentemente boicota produtos que não atendam às suas exigências.
E nós aqui, no Brasil? Até quando vamos ficar quietos, engolindo toda essa xaropada?